sábado, 8 de dezembro de 2012


Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria

               Padroeira e Rainha da Ordem Franciscana

Estamos diante de um mistério. Ou seja: diante de um fato que nossa inteligência, por ser conhecidamente limitada, não consegue abranger nem explicar por inteiro. O mistério não contradiz a razão humana, mas a excede.
O privilégio da Imaculada Conceição não se refere ao fato de Maria de Nazaré ter sido virgem antes, durante e depois do parto de Jesus. Não se refere ao fato de ter ela concebido o filho sem o concurso de homem, mas por obra e graça do Espírito Santo. Não se refere ao fato de Maria não ter cometido nenhum dos pecados que nós costumamos fazer, confessar e nos esforçamos por evitar. Refere-se ao fato de Deus havê-la preservado da mancha com que todas as criaturas humanas nascem, mancha herdada do pecado cometido por Adão e Eva. A teologia chama esta mancha de “pecado original”. Original, não porque nascemos como fruto de um ato sexual. Mas original, porque se refere à origem de toda a humanidade, ou seja, aos nossos primeiros pais, que a Bíblia chama de Adão e Eva.
A Sagrada Escritura ensina-nos que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Não o fez por necessidade, mas num gratuito gesto de amor. Criado por amor, o ser humano estava destinado a uma plena e eterna comunhão com Deus. Comunhão tão íntima e divina, que o próprio Filho de Deus dela poderia participar sem nenhuma diminuição de sua divindade.
Ora, para o Filho de Deus encarnar-se, Deus havia escolhido desde sempre uma mulher e a havia imaginado santíssima, ou seja, adornada com todas as qualidades e belezas do próprio Deus. Para Deus, imaginação e criação é a mesma coisa.
Aconteceu, no entanto, o grande transtorno: nossos primeiros pais, apesar de feitos à imagem e semelhança de Deus, eram criaturas e como criaturas dependiam do Criador. Sua liberdade era a plenitude da liberdade como criaturas. Adão e Eva pecaram, querendo passar da liberdade e santidade de criaturas à liberdade e santidade do Criador, ou seja, quiseram igualar-se a Deus. Pecado de orgulho. Um pecado de desobediência à condição de criaturas, querendo a condição do Criador. Eles quiseram “ser como Deus” (Gn 3,5). Eles quiseram comportar-se como Deus e não como criaturas de Deus.
A Sagrada Escritura fala das conseqüências dramáticas dessa prepotência dos nossos primeiros pais: embora mantendo a dignidade de imagem e semelhança de Deus, perderam, como diz São Paulo “a graça da santidade original” (Rm 3,23), passaram a ter medo de Deus, perderam o equilíbrio de criaturas, ou seja, foram tomados pelas más inclinações e passaram a sentir em sua consciência a desarmonia e a tensão entre o bem e o mal e a experiência da terrível necessidade de optar entre um e outro, e “a morte entrou na história da humanidade” (Rm 5,12).
Ora, os planos de Deus, ainda que as criaturas os desviem ou quebrem ou não os queiram, acabam se realizando.
Aquela mulher imaginada (criada) por Deus antes do paraíso terrestre, para ser a Mãe do Filho em carne humana, estava isenta do pecado de Adão e Eva. Há, porém, uma verdade de fé professada pela Igreja, que ensina que todas as criaturas humanas são redimidas, sem exceção, exclusivamente pelos méritos de Jesus Cristo. Ora, Maria é uma criatura e não uma deusa. Por isso, também ela deveria ter sido redimida por Jesus.
Os teólogos discutiram durante séculos sobre como Maria poderia ter sido remida. Nunca, nenhum santo Padre duvidou da santidade de Maria, de sua vida puríssima, de seu coração inteiramente voltado para Deus, ou seja, de ser uma mulher “cheia de graça” (Lc 1,28). Mas, ainda que a pudessem imaginar imaculada, havia teólogos que não conseguiam argumentos teológicos suficientes para crê-la isenta do pecado original. Um deles, por exemplo, foi São Bernardo, autor de belíssimos textos sobre Nossa Senhora, insuperável na descrição da maternidade divina de Maria.
Entre os teólogos favoráveis à imaculada conceição de Maria devemos mencionar o Bem-aventurado Duns Scotus, que argumentava assim: Deus podia criá-la sem mancha, porque a Deus nada é impossível (Lc 1,37); convinha que Deus a criasse sem mancha, porque ela estava predestinada a ser a Mãe do Filho de Deus e, portanto, ter todas as qualidades que não obnubilassem o filho; se Deus podia, se convinha, Deus a criou isenta do pecado original, ou seja, imaculada antes, durante e depois de sua conceição no seio de sua mãe.
Em 1615 encontramos o povo de Sevilha, na Espanha, cantando pelas ruas alguns versos, derivados do argumento de Duns Scotus: “Quis e não pôde? Não é Deus / Pôde e não quis? Não é Filho. / Digam, pois, que pôde e quis”.
Também os artistas entraram na procissão dos que louvavam e difundiam a devoção à Imaculada. Nenhum foi tão feliz quanto o espanhol Murillo, falecido em 1682. A ele se atribuem 41 diferentes quadros da Imaculada, inconfundíveis, sempre a Virgem em atitude de assunta, cercada de anjos, a meia lua sob os pés, lembrando de perto a mulher descrita pelo Apocalipse: “revestida de sol, com a lua debaixo dos pés” (Ap 12,1). A lua, por variar tanto, é símbolo da instabilidade humana e das coisas passageiras. Maria foi sempre a mesma, sem nenhum pecado.
“No entanto, escreve o Santo Padre Pio IX, era absolutamente justo que, como tinha um Pai no céu, que os Serafins exaltam como três vezes santo, o Unigênito tivesse também uma Mãe na terra, em quem jamais faltasse o esplendor da santidade. Com efeito, essa doutrina se apossou de tal forma dos corações e da inteligência dos nossos antepassados, que deles se fez ouvir uma singular e maravilhosa linguagem. Muitas vezes se dirigiram à Mãe de Deus como a toda santa, a inocentíssima, a mais pura, santa e alheia a toda mancha de pecado, … mais formosa que a beleza, mais amável que o encanto, mais santa que a santidade, … a sede única das graças do Santíssimo Espírito, sendo, à exceção de Deus, a mais excelente de todos os homens, por natureza, e até mesmo mais que os próprios querubins e serafins. E para a decantarem os céus e a terra não acham palavras que lhes bastem” (Ineffabilis Dei, 31).
No dia 8 de dezembro de 1854, o bem-aventurado Papa Pio IX declarou verdade de fé a conceição imaculada de Maria. O dogma soa assim: “Pela inspiração do Espírito Santo Paráclito, para honra da santa e indivisa Trindade, para glória e adorno da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica e para a propagação da religião católica, com a autoridade de Jesus Cristo, Senhor nosso, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e nossa, declaramos, promulgamos e definimos que a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, foi preservada de toda mancha de pecado original, por singular graça e privilégio do Deus Onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador dos homens, e que esta doutrina está contida na Revelação Divina, devendo, portanto, ser crida firme e para sempre por todos os fiéis” (Ineffabilis Dei, 42).
Mas a devoção à Imaculada é muito antiga. Basta lembrar que a festa é conhecida já no século VIII. Desde 1263, a Ordem Franciscana celebrou com muita solenidade a Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro de cada ano e costumava cantar a Missa em sua honra aos sábados. Em 1476, o Papa Xisto IV colocou a festa no calendário litúrgico da Igreja. Em 1484, Santa Beatriz da Silva, filha de pais portugueses, fundou uma Ordem contemplativa de mulheres, conhecidas como Irmãs Concepcionistas, para venerar especialmente e difundir o privilégio mariano da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus.
Desde a proclamação do dogma, a festa da Imaculada Conceição passou a ser dia santo de preceito.
Em Roma, na Praça Espanha, para perenizar publicamente a declaração do dogma, levantou-se uma belíssima e trabalhada coluna encimada pela estátua da Imaculada Conceição. Todos os anos, no dia 8 de dezembro à tarde, o Papa costuma ir à Praça e com o povo romano e os peregrinos reverenciar o privilégio da imaculada conceição da santíssima Virgem, privilégio que deriva de seu título maior: ser a Mãe do Filho de Deus Salvador.
Nem quatro anos depois de proclamado o dogma, em Lourdes, na França, à menina Bernardete, simples e analfabeta, que perguntava insistentemente à visão quem era ela, recebeu como resposta, cercada de terníssimo sorriso: “Eu sou a Imaculada Conceição”.
Não podemos esquecer que a estátua de Nossa Senhora Aparecida é uma Imaculada Conceição e por isso mesmo seu título oficial é Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Como é bonito, piedoso e comovente escutar o povo brasileiro cantando uníssono: Viva a Mãe de Deus e nossa / sem pecado concebida! / salve, Virgem Imaculada, / ó Senhora Aparecida!
Frei Clarêncio Neotti, OFM

MARIA NA ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA




Estamos em maio mês das manifestações populares de devoção à mãe de Jesus, Maria Santíssima. No passado, mais do que hoje, as famílias em casa, nos povoados, nas pequenas e grandes cidades celebravam novenas, rezavam o terços, faziam procissões e coroações para manifestar sua devoção a Nossa Senhora. Era comum vermos uma bandeira branca no alto de um mastro diante das casas na zona rural, indicando que ali se estava homenageando a mãe do Salvador. Apesar de todas as mudanças ocorridas nos costumes e mesmo no panorama religioso de nosso país, Maria continua sendo muito lembrada e celebrada, como nos comprova a devoção crescente seja nos santuários marianos seja onde é incentivado o amor filial à Maria de Nazaré. Nossa espiritualidade franciscana também tem algo a dizer aos que amam a Virgem Maria e aos que ainda não descobriram a riqueza da devoção à Mãe de Jesus. A devoção de São Francisco a Maria, vivida oito séculos atrás, carrega uma riqueza e intuição riquíssima que tem muito a ensinar e a nos dizer hoje. Ele a vê dentro do desígnio salvador do Pai que enviando Seu Filho a nós, fez-nos todos seus filhos e participantes do plano amoroso e salvífico em relação a toda a humanidade e toda a criação. O primeiro biografo de São Francisco, Frei Tomás de Celano, assim descreve a devoção de Francisco para com a Virgem Maria: “Tinha um amor indizível à Mãe de Jesus, porque fez nosso irmão o Senhor da majestade. Consagrava-lhe louvores especiais, orações, afetos, tantos e tais que uma língua humana nem pode contar” (2Cel 198). Francisco contempla Maria dentro do mistério da Salvação vinculada ao mistério da Encarnação de Jesus e unida à missão redentora do Filho de Deus. Maria está plenamente voltada para o mistério da Trindade, agraciada como filha do Pai, Mãe do Filho de Deus e esposa do Espírito Santo. Ela foi escolhida pelo Pai e sob o influxo do Espírito Santo torna-se Mãe do Filho Unigênito de Deus. A devoção de Francisco a Maria tem suas raízes no ensinamento da Igreja de sua época e da tradição mariana medieval. Parece que Francisco foi a primeira pessoa a designar Maria de “Esposa do Espírito Santo”, como ele reza na antífona do Ofício da Paixão: “Santa Virgem Maria, não há mulher nascida no mundo semelhante a vós, filha e serva do Altíssimo Rei e Pai celestial, mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo...” (OfP). Para Francisco, Maria está plenamente comprometida com o plano de Salvação do Pai, realizado em Jesus, o Salvador. Com ela aprendemos a nos comprometer com a vontade do Pai, e assim, contemplando seu exemplo de Mãe e fiel discípula de Cristo, compreendemos porque Francisco a louva dizendo: “Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima, Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita Igreja”.
Frei Marconi Lins, OFM

A COROA DAS SETE ALEGRIAS DE NOSSA SENHORA – O ROSÁRIO FRANCISCANO
Dia da Imaculada Conceição

A Coroa das Sete Alegrias de Nossa Senhora, chamada também de Coroa Seráfica ou Rosário Franciscano, compõe-se de sete mistérios, com um Pai-nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai, em honra das sete alegrias de Nossa Senhora, consubstanciadas nos seguintes principais mistérios:
  1. Encarnação do Verbo divino;
  2. Visitação da Mãe de Deus à sua prima santa Isabel;
  3. Nascimento de Jesus;
  4. Adoração prestada ao Divino Infante pelos três reis magos;
  5. Encontro de Jesus no Templo;
 6. Jubilosa Ressurreição do Salvador;
 7. Coroação da Virgem Imaculada no céu.




IMACULADA CONCEIÇÃO




HISTÓRICO

Imaculada ConceiçãoImaculada Conceição
Segundo a Igreja Católica, o bom senso dos fiéis sempre acreditou na imunidade de Maria do pecado original. Tanto no Oriente como no Ocidente, há grande devoção à Maria enquanto mãe de Jesus e "Virgem sem Pecados", notados desde os primórdios do cristianismo, quando o dogma da Imaculada Conceição já era tido para os fiéis como verdade de fé.

Definição dogmática

Aos 8 de dezembro de 1854, Pio IX, na Bula Ineffabilis Deus (Deus inefável), fez a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Assim o Papa se expressou:

Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis.

A Definição do Dogma

Depois de na humildade e no jejum, dirigirmos sem interrupção as Nossas preces particulares, e as públicas da Igreja, a Deus Pai, por meio de seu Filho, a fim de que se dignasse de dirigir e sustentar a Nossa mente com a virtude do Espírito Santo; depois de implorarmos com gemidos o Espírito consolador; por sua inspiração, em honra da santa e indivisível Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos:

Doctrinam, quæ tenet, beatissimam Virginem Mariam in primo instanti suæ conceptionis fuisse singulari omnipotentis Dei gratia et privilegio, intuitu meritorum Christi Jesu Salvatoris humani generis, ab omni originalis culpæ labe præservatam immunem, esse a Deo revelatam atque idcirco ab omnibus fidelibus firmiter constanterque credendam.

A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.

QUEM É A IMACULADA CONCEIÇÃO?

AnunciaçãoAnunciação
O ser de Maria é ser Imaculada Conceição. Ela pertence ao gênero humano, isto é, um estado de ser que não subsiste em si mesmo; que não tem existência em si, mas que recebeu de Deus. Por isso o seu ser conceição significa que ela distingue-se de Deus, e é semelhante a todas outras criaturas, tendo iniciado a sua existência no tempo.

Agora, sendo Imaculada, ela traz em si uma diferença específica: desde o início de sua existência não houve nela o mínimo de afastamento de Deus, por ser ela a “cheia de graça” (Lc 1,28). É por ser Imaculada que é a criatura mais próxima do ser de Deus.

A Imaculada Conceição foi quista e realizada por Deus no tempo (criatura concebida), com a semelhança da essência de Deus, pelos méritos de Jesus Cristo, o Filho de Deus, preservada da mancha do pecado. Assim, a Imaculada é comparada, a partir do pensamento de São Maximiliano: “Se uma coisa é branca, pode sujar-se. Mas se é a própria brancura, não sofre mais nenhuma mudança” SK 1224. Esta é a Imaculada: a brancura de Deus, que não pode ser atingida pela corrupção do pecado; por isso preservada no corpo, assunta ao céu.



A IMACULADA NA ORDEM DA SALVAÇÃO

Contemplando com admiração o plano da salvação, que tem a sua origem no Pai e que comunica à humanidade em Jesus Cristo, o seu Filho amado, se manifesta na Imaculada, de modo primeiro. Para São Maximiliano Kolbe “em tudo há amor” SK 1291; o amor gratuito de Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8). Tudo o que existe é reflexo do amor de Deus, e, por isso, em tudo e em todos está o seu esplendor infinito. É isto que contemplamos com admiração.

Isto é salvação!

O amor é o centro e o ápice da vida humana, criada a “imagem e semelhança de Deus”. A Imaculada é a humanidade a qual recebeu de Deus toda a sua Graça: “Ave, cheia de graça” (Lc 1,28), por isso ela é imagem e semelhança de Deus mais próxima do seu ser. Isto porque a iniciativa desta graça é de Deus para com ela. É a ação do amor de Deus para com a sua criação. Portanto, todos os seres humanos, a começar de Maria, recebem de Deus a dignidade de serem os seus filhos amados, pelos méritos do Filho amado, Jesus Cristo.

A Imaculada com o seu "Fiat" (faça em mim), livre e pessoal responde ao amor de Deus cumprindo sempre a sua vontade; e a vontade de Deus é que todos sejam salvos; por isso a vida de Jesus é viver para que não se perca nenhum daqueles que o Pai lhe confiou. A Imaculada é a “serva do Senhor” (Lc 1,38) que colabora para a realização da vontade salvífica de Deus. Nesta colaboração acontece a salvação de Deus.

Ao dar a sua resposta, a Imaculada, confia a sua liberdade a Deus, se envolvendo com a liberdade de dele: amar. “Na união do Espírito Santo com Maria, o amor não une somente estas duas pessoas, mas ao primeiro amor: a Santíssima Trindade; o segundo amor, aquele de Maria, é todo o amor da criação, desta união o céu se une com a terra, isto é, todo amor incriado com todo o amor criado... isto é o máximo do amor” (SK 1318).







MARIA SANTÍSSIMA NA PIEDADE DE SÃO FRANCISCO

Por ocasião do Concílio de Latrão em 1215 encontram-se em Roma, Francisco e Domingos. Dizem que ao sair de uma igreja Domingos viu São Francisco de Assis, reconhecendo de imediato o homem predestinado por Deus para a restauração da Igreja Universal. Sentiram-se atraído um pelo outro e uma santa amizade uniu aquelas duas almas, que tanto bem deveriam fazer para a humanidade. Os dois receberam do Papa Inocêncio III, em Roma, no ano de 1215 a incumbência de um trabalho gigantesco para a gloria de Deus e salvação das almas. São Francisco sempre foi um grande devoto da Santíssima Virgem Maria, prestou-lhe sempre homenagem. Foram os Franciscanos os promulgadores da devoção da Imaculada Conceição. O dogma foi promulgado em 1854. A virgem Maria representava para São Francisco as portas do céu, ela lhes oferecia o diurno auxílio na senda espiritual. Apesar de sua vida de árduos trabalhos, São Francisco agradecia sempre a Deus, porque se julgava um homem feliz, pelas graças que recebia. O Pensamento de São Francisco nunca se afastava da luz divina, era uma oração ininterrupta, sempre aperfeiçoando suas virtudes, jamais teve ostentação, as palavras do Evangelho e a vida do nosso Senhor Jesus Cristo estavam sempre presentes. Na sua humildade unia-se cada vez mais a Deus, desejando a confraternização de todos os seres, sem distinção de raça, credo ou cor. Ele repetia: “Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final. Homens pobres, ricos e poderosos, rudes ou letrados pediam para seguir-lhe naquela vida.
A famosa quarenta de São Miguel Arcanjo, que normalmente é feita entre as festas litúrgicas da assunção de Nossa Senhora (quinze de agosto) e dos santos arcanjos (vinte e nove de setembro), foi criada pelo seráfico São Francisco. 

O pobrezinho de Assis costumava fazer três períodos fortes de penitência que serviam para preparação das seguintes festas da igreja: a primeira seria a Páscoa, que é precedida pela quaresma; a segunda por este tempo citado acima para a festa de São Miguel Arcanjo e a terceira os dias do advento nos quais se preparava para viver o Natal. 
O intenso amor a Cristo-Homem, qual o praticara São Francisco e qual o legara à sua Ordem, não podia deixar de atingir Maria Santíssima. Já as razões do coração católico de São Francisco e seu cavaleirismo o levavam a amor aceso da virgem Mãe de Deus. "Seu amor para com a bem-aventurada Mãe de Cristo, a puríssima Virgem Maria, era de fato indizível, pois nascia em seu coração quando considerava que ela havia transformado em irmão nosso o próprio Rei e Senhor da glória e que por ela havíamos merecido alcançar a divina misericórdia. Em Maria, depois de Cristo, punha toda a sua confiança. Por isto a escolheu para advogada sua e de seus religiosos, e em sua honra jejuava devotamente desde a festa de São Pedro e São Paulo até à festa da Assunção".

São Francisco não é apenas um santo muito devoto, muito afeiçoado à Mãe de Deus, mas é um dos santos em que a piedade mariana aparece numa floração original e singular, sem contudo se afastar, por pouco que seja, das linhas marcadas pela Igreja. A Idade Média, da qual é Filho, teve uma piedade mariana cheia dos mais suaves encantos, porque fundada toda sobre a nobreza de sentimentos e a cortesia de atitudes de cavaleiros. Os cavaleiros se consideravam paladinos da honra e da glória de Maria Santíssima.

São Francisco, que em sua concepção específica da vida religiosa partia deste ideal e que considerava os seus como "cavaleiros da Távola Redonda", cultivou com esmero e com intensidade toda sua o serviço da Virgem Santíssima nos moldes do ideal cavaleiroso, condicionado pelo seu conceito e pela sua prática da pobreza. Nada mais comovente e delicado na vida deste Santo, que a forte e ao mesmo tempo meiga e suave devoção à Mãe de Deus. Derivada do amor de Deus e de Cristo, orientada pelo Evangelho e vazada nos moldes e costumes do cavaleirismo medieval, transposto a uma sobrenaturalidade, pureza e força singularíssima, esta piedade mariana do Santo fundador é parte integrante do que legou à sua Ordem e aí foi cultivada com esmero.

São Francisco fez dos cavaleiros de "Madonna Povertá" os paladinos dos privilégios e da honra da Mãe de Cristo. As fontes da vida e da espiritualidade de São Francisco são unânimes em narrar quanto a igrejinha da Porciúncula minúscula, pobre e abandonada na várzea ao pé de Assis, igrejinha de Nossa Senhora dos Anjos - atraía as atenções de São Francisco e prendia a sua dedicação. Atraiu as suas atenções, quando estava para cumprir, segundo a interpretação que lhe dava, a ordem de Cristo de reconstruir a Igreja Santa. O edifício ameaçava ruínas. São Francisco pôs mãos à obra e em pouco tempo, com pedras e cal de "Madonna Povertá", restituiu a estrutura da capela: "Vendo-a (a capela) São Francisco em tão ruinoso estado, e movido por seu indizível e filial afeto da soberana Rainha do universo, se deteve ali com o propósito de fazer quanto fosse possível para a sua restauração... Fixou neste lugar a sua morada, movido a isto pela sua reverência aos santos anjos, e muito mais pelo entranhado amor da Mãe Bendita de Cristo".

Depois de assinalado por Cristo com os sinais gloriosos, mas dolorosos da Paixão, São Francisco voltou à Porciúncula. De lá partia novamente para pregar, mas voltava sempre. Os irmãos, apreensivos pela sua saúde combalida, obrigaram-no a permitir o levassem aonde melhor podiam atender ao tratamento reclamado pelo eu estado. Quando, porém, ia findar o tempo que Deus lhe concedera, e sabia quando findaria, São Francisco pediu que o levassem novamente à capelinha da Virgem dos Anjos. À sombra da igrejinha entregou sua alma a Deus no trânsito incomparável que foi o seu. Maria Santíssima, tão agraciada por Deus, possui encantos mil e à semelhança do seu Filho Divino é tão rica que um coração humano não pode venerar de uma só vez todas as prerrogativas de que foi cumulada pela generosidade divina.

Há desta forma a possibilidade das mais variadas devoções da Virgem, há a possibilidade de cada qual venerá-la e amá-la sob o aspecto que mais o comove, que mais o inflama.

Saudação à Virgem Maria 
São Francisco de Assis

Salve, ó Senhora Santa, Rainha Santíssima,
Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo Santíssimo Pai celestial,
que vós consagrou por seu Santíssimo e
dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito.
Em vós residiu e reside toda plenitude da graça e todo o bem.
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó mãe do Senhor!
E salve vós todas, ó santas virtudes derramadas,
pela graça e iluminação do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis
em fiéis servos de Deus!
Amém.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Nota de FALECIMENTO
"O que os olhos jamais viram e coração algum jamais sentiu é o que Deus preparou para aqueles que o amam" (I Cor 2, 9)

Faleceu nesta segunda-feira (03/12/12) em Caruaru-PE, o nosso irmão franciscano CÍCERO, formador da Fraternidade Santa Clara de União dos Palmares. O sepultamento ocorrerá nesta terça-feira, dia 04/12/12 às 10h da manhã em União dos Palmares. Todos os irmãos franciscanos, o Conselho Regional e a Formação Regional, em oração intercedem pelo descanso eterno desse nosso irmão que agora faz a sua Páscoa definitiva com Deus.