segunda-feira, 26 de novembro de 2012


Fraternidades a serviço das Paróquias

Nossas Fraternidades locais estão refletindo sobre o trabalho pastoral em paróquias, a partir de pedido do Departamento de Paróquias da Província. As linhas que se seguem não apresentam soluções, mas consiste numa reflexão de um frade sobre alguns aspectos da vida paroquial.
Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
• Nossa Provincia ainda está presente em muitas paróquias. Há frades que se dedicam de corpo, alma e coração ao trabalho “paroquial”, sabendo que a estrutura é pesada. Frades e sacerdotes bem preparados saberão fazer, apesar de todos os pesares, da paróquia um espaço de missão, de evangelização, de acolhimento. Mesmo sabendo que será preciso estar presente em outros espaços, a paróquia é ainda um ponto de referência. É lugar para santos e pecadores, gente letrada e pessoas sem cultura, crianças, jovens, casados, idosos… Não podemos, isto sim, concordar, que ela seja meramente um espaço burocrático, onde se realiza uma pastoral sacramentalista, sem alma, onde missas são celebradas por celebrar. Apesar de todos os pesares a paróquia, mesmo que tenha resquícios das coisas dos tempos rurais, é ainda uma referência na biografia de um cristão. Muitos movimentos dividem…
• Temos sempre de novo que nos voltar para uma mais densa compreensão da pastoral. Devemos escrever pastoral com p maiúsculo: Pastoral. Por detrás está a figura do Pastor bom, do Cristo vivo e ressuscitado. Ele atua antes de nós. Somos servos de sua ação. O padre é servo do bom Pastor. Não criamos a vida nova dele nas pessoas. Nós, frades, precisamos aprender a ler a ação do Cristo na vida de nossas paróquias e comunidades. Não inventamos, acompanhamos. Uma boa formação dos frades de Petrópolis tem que comportar o exercício de uma leitura pastoral teológica da realidade. Os frades, sacerdotes ou não, precisam ter gosto pela pastoral, ter conhecimento dos ramos e divisões desta disciplina teológica. Precisam ser acompanhados nos estágios em paróquias. Precisam, no tempo da teologia, ver que há confrades agindo pastoralmente com eficiência profunda e não apenas agitando pessoas, folhas e corpos. Que ideias de uma teologia pastoral têm nossos frades e nossos agentes de pastoral?
• Uma grande dificuldade é sempre a pastoral de conjunto, o trabalho dos párocos e padres junto com outros párocos e padres. Questão delicada é sempre a de uma Fraternidade Francisca que faz missão como Fraternidade, que age numa paróquia como Fraternidade verdadeira, menor e franciscana. Esse trabalho em comum é tarefa difícil. Não bastam alguns encontros entre os frades. É preciso sentir que só temos força quando agimos juntos, como menores e entusiasmados pelo Cristo que não é amado. Do contrário nossa ação franciscana não transparece. Somos funcionários do sagrado. Não temos significação alguma como franciscanos nas paróquias.
• No tocante ao Ministério da Palavra algumas observações:
• Haveremos de cuidar muito da homilia. Há lugares em que frades se reúnem às sextas-feiras para conversar sobre a homilia do domingo.Quando possível destacaremos a visão franciscana daquele dia. A homilia é momento de evangelização. Para muitos é, durante anos, o único contato com o Evangelho.
• Delicada a questão da maneira como se celebra. O que é participação? O que é participação do padre e do leigo? Como celebrar a missa, os sacramentos de tal forma que o Ressuscitado se torne presente? Que músicas ajudam? Como a liturgia pode ser um espaço de crescimento na fé?
• Não podemos não ter espaços de formação cristã, mesmo com poucos… semanal, quinzenalmente… grupos de reflexão, presença constante nestes espaços dos agentes de pastoral… formação, conversas , método ver-julgar-agir. Conversar juntos. Decidir juntos. Rezar juntos. Ter um cuidado especialíssimo com os mais próximos para que eles saibam evangelizar e se deixem evangelizar. Nossas paróquias, mesmo com dificuldades, serão lugares onde ao menos padres, frades e agentes de pastoral se encontram e têm a alegria de se encontrar.
• Temos, custe o que custar, de ter jovens circulando entre nós. Não seria o caso de sentarmos juntos e ver que tipo de grupo de jovens franciscanos poderíamos organizar? Há frades que estão gostando da JUFRA… Será que não há outro caminho?
6. Quanto ao ministério da liturgia:
• A missa é a renovação e atualização do mistério pascal. Comentários, intenções e tudo o mais deve ser centrado neste aspecto. Não dá para ler os “sermões” de tantos folhetos, essas introduções longas e sem sal. Especial atenção merecem as equipes de liturgia e dos ministros extraordinários da Eucaristia. Não se trata de apenas saberem se deslocar de um lado para o outro no espaço celebrativo, mas de terem um espiritualidade eucarística, de terem consciência de servirem ao mistério pascal.
• Aspecto delicado: ainda estamos distribuindo os sacramentos sem que as pessoas, de fato, estejam num processo de conversão. Uma séria revisão de nossos ditos “cursos” precisa ser feita, um modo mais simples e mais verdadeiro de celebrar batismo e casamento. Descobrir meios e modos de fazer com que as pessoas não esqueçam que estamos sempre em estado de conversão, somos santos, mas pecadores e precisamos voltar também para o sacramento da confissão. Que formas de celebração dos sacramentos estamos adotando? Por elas evangelizamos, ou sacramentalizamos…
• Há missas celebradas durante a semana que podem ser ocasião de crescimento muito grande, ao menos de alguns fiéis. Vemos certas pessoas se apresentarem diante do altar com um rosto de famintos. Parece importante que nós, frades, concelebremos. Muitas casas têm frades sacerdotes que não são escalados para missas todos os dias e nem mesmo aos domingos. A concelebração é uma práxis a ser instituída como sinal visível de que somos unidos, somos irmãos juntos.
7. No tocante ao ministério da caridade:
• Todos nos lembramos das paróquias de nossa infância e das obras ditas assistenciais. Não é aqui o lugar de entrar em pormenores. Muitas paróquias se orgulham, e com razão, de oferecer a todos os seus membros ocasião de práticas de amor fraterno: famílias pobres que recebem alimento, doentes são atendidos, presos visitados. O Sefras vai se implantando e permitindo que nossas comunidades compreendam, de maneira, mais adequada o que vem a ser um cuidado pelos irmãos que vai além de um mero assistencialismo. Isto não impede que pessoas continuem fazendo vestidos para os carentes, enxovais para bebês, atendimento médico em algum canto da paróquia. Por que não?
• Um trabalho evangelizador e caritativo (as duas coisas não se excluem) será feito junto das famílias despedaças, destroçadas, miseráveis em todos os sentidos.
8. No que se refere ao ministério pastoral:
• Não se pode contentar com a existência, em certos lugares, de uma centralização na sede, centralização, aliás, burocratica. Há muitas de nossas paróquias que contam com viçosas comunidades no meio da gente, nas ruas mais sujas, nos lugares mais distantes. Devemos multiplicar comunidades de base, círculos bíblicos, encontros de células nos apartamentos, catequese e vida cristã em grupos menores. Isso precisa ser feito. As Igrejas evangélicas progridem em cima de nossa inépcia. Quando temos lideranças dedicadas, locais a vida cristão progride. E nesse sentido a paróquia pode, repito, pode ser sacramento de unidade.
• Vivemos, sim, o tempo da subjetividade. Parece normal que nossas casas e paróquias sejam espaços de atendimento personalizado. Não se trata de voltar ao tempo da direção espiritual, nem apenas de um acompanhamento psicoterápico. Embora, em alguns casos este ultimo seja fundamental. Há perplexidades, jovens que precisam ser ajudados a pensar em seu amanhã, famílias que se despedaçam…. acompanhamento que não é paternalismo, mas ajuda no discernimento. Infelizmente nem sempre as pessoas nos procuram. É preciso ir ao encontro delas.
9. No que se refere ao tema da missão como fraternidade em espírito de oração e devoção:
• Há Fraternidades franciscanas de frades singelos, bons, amigos e acolhedores. Quando deixam uma determinada casa, fazem falta. Nunca, nunca, nunca é demais repetir: evangelizamos quando agimos juntos e nos estimamos, mais do que nos toleramos. Cada paróquia é cada paróquia. Mas em todas as paróquias franciscanas haverá essa certeza de ser espaço de vivência da fraternidade, simplicidade e cortesia. Somos pessoas profundamente respeitosas e acolhedoras, sem com isso fazer média com o medíocre e o erro.
• Párocos franciscanos e assistentes e conselhos da OFS e da JUFRA não podem viver sem conviver. A OFS não é um departamento paroquial. Seus membros pertencem a diferentes paróquias. Mas não tem sentido a existência de uma Fraternidade divorciada da paróquia. Os franciscanos seculares são (ou deveriam ser) cristãos maduros que ajudam uma comunidade paroquial a acertar os passos. A falta de apoio dos frades aos franciscanos seculares não é bom sintoma. Como também não se concebe um grupo que se reúne nas dependências da comunidade franciscana sentindo-se dela desvinculado e nem buscando assistência.

Aqueles que seguem o cordeiro

Apocalipse 14,1-5; Lucas 21, 1-4

Muitos experimentamos  certa estranheza com a linguagem do livro do Apocalipse.  Seu estilo é, de alguma forma,  hermético e fechado.  O trecho proclamado na liturgia de  hoje  nos fala dos vitoriosos que “seguem o Cordeiro aonde quer que vá”.
Aos poucos vamos chegando ao final do ano litúrgico de 2012.  Fim do ano litúrgico que é acompanhado do tema do final dos tempos, da recompensa dada aos justos e  da  realização de todas as profecias.
O Cordeiro, aquele que tinha sido imolado,  agora se manifesta como o vitorioso.  Está de pé sobre o monte de Sião.  Ele é, efetivamente,  o vitorioso.
Todos os que passaram pela grande tribulação estão  junto e perto do Cordeiro.  “Com ele, os cento e quarenta e quatro mil  que tinham a fronte marcada com o nome dele e o nome do Pai”.
O autor do Apocalipse  descreve o ambiente na glória com as cores de uma grande festa: “Ouvi uma voz que vinha do céu; parecia o barulho de águas torrenciais e o estrondo de um forte  trovão.  O ruído  que ouvi era como o de som de músicos tocando harpa”.
Festa, alegria  reservada aos  quarenta e quatro mil,  a multidão resgatada da terra pelo sangue do Cordeiro vitorioso, que ali se mostrava de pé.  Todos cantavam um cântico novo.  Ninguém podia aprender esse cântico novo,  a não ser os resgatados.
Os vitoriosos, os que cantam o canto novo,  não podem mais deixar de seguir o Cordeiro.  Estão confirmados.  Seguem o  Cordeiro  aonde quer que ele vá.  Esses são os íntegros.
O salmo responsorial nos ajuda a contemplar mais densamente  esse céu dos íntegros e dos justos.  “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?  Quem tem as mãos puras  e inocente o coração, quem não dirige sua mente para o crime.  Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu  Deus e salvador. É assim a geração dos que buscam a Deus e do  Deus de Israel buscam a face”  (Sl 23 (24)).
Frei Almir Ribeiro Guimarães

terça-feira, 20 de novembro de 2012




20 de novembro- Dia da CONSCIÊNCIA NEGRA

Zumbi líder do quilombo dos Palmares
Zumbi foi o grande líder do quilombo dos Palmares, respeitado herói da resistência antiescravagista. Pesquisas e estudos indicam que nasceu em 1655, sendo descendente de guerreiros angolanos. Em um dos povoados do quilombo, foi capturado quando garoto por soldados e entregue ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo. Criado e educado por este padre, o futuro líder do Quilombo dos Palmares já tinha apreciável noção de Português e Latim aos 12 anos de idade, sendo batizado com o nome de Francisco. Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a um amigo, exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco). Em 1670, com quinze anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo. Tornou-se um dos líderes mais famosos de Palmares. "Zumbi" significa: a força do espírito presente. Baluarte da luta negra contra a escravidão, Zumbi foi o último chefe do Quilombo dos Palmares.
O nome Palmares foi dado pelos portugueses, em razão do grande número de palmeiras encontradas na região da Serra da Barriga, ao sul da capitania de Pernambuco, hoje, estado de Alagoas. Os que lá viviam chamavam o quilombo de Angola Janga (Angola Pequena). Palmares constituiu-se como abrigo não só de negros, mas também de brancos pobres, índios e mestiços extorquidos pelo colonizador. Os quilombos, que na língua banto significam "povoação", funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas. No Brasil, o mais famoso deles foi Palmares.
O Quilombo dos Palmares existiu por um período de quase cem anos, entre 1600 e 1695. No Quilombo de Palmares (o maior em extensão), viviam cerca de vinte mil habitantes. Nos engenhos e senzalas, Palmares era parecido com a Terra Prometida, e Zumbi, era tido como eterno e imortal, e era reconhecido como um protetor leal e corajoso. Zumbi era um extraordinário e talentoso dirigente militar. Explorava com inteligência as peculiaridades da região. No Quilombo de Palmares plantavam-se frutas, milho, mandioca, feijão, cana, legumes, batatas. Em meados do século XVII, calculavam-se cerca de onze povoados. A capital era Macaco, na Serra da Barriga.
A Domingos Jorge Velho, um bandeirante paulista, vulto de triste lembrança da história do Brasil, foi atribuído a tarefa de destruir Palmares. Para o domínio colonial, aniquilar Palmares era mais que um imperativo atribuído, era uma questão de honra. Em 1694, com uma legião de 9.000 homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho começou a empreitada que levaria à derrota de Macaco, principal povoado de Palmares. Segundo Paiva de Oliveira, Zumbi foi localizado no dia 20 de novembro de 1695, vítima da traição de Antônio Soares. “O corpo perfurado por balas e punhaladas foi levado a Porto Calvo. A sua cabeça foi decepada e remetida para Recife onde, foi coberta por sal fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo”.
O Quilombo dos Palmares foi defendido no século XVII durante anos por Zumbi contra as expedições militares que pretendiam trazer os negros fugidos novamente para a escravidão. O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.
A lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, incluiu o dia 20 de novembro no calendário escolar, data em que comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A mesma lei também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas as aulas sobre os temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, propiciarão o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da história do país.

domingo, 18 de novembro de 2012


19 DE NOVEMBRO: SANTA INÊS DE ASSIS

Santo Franciscano do Dia
Virgem da Segunda Ordem (1198-1253). Bento XIV, no dia 15 de abril de 1762, concedeu ofício e Missa em sua honra.
Inês era irmã de Clara, mais nova do que ela, nascida em Assis em 1198. Em princípios de abril de 1212 foi juntar-se à irmã, que quinze dias antes tinha fugido da casa paterna para abraçar o ideal franciscano e se recolher no mosteiro de Santo Ângelo, nas faldas do Subásio, perto de Assis. Os parentes, exasperados com semelhantes gestos, que consideravam um segundo atentado contra o bom nome da família, serviram-se de todos os recursos para tentarem impedi-la de realizar os seus intentos, sem excluírem mesmo a violência física: Inês chegou a ser brutalmente ferida pelo seu tio Monaldo, que teve o atrevimento de violar a clausura e a tranquilidade do mosteiro. Porém, nem mesmo a força bruta conseguiu fazer vergar a jovem. Foi São Francisco quem sugeriu para a nova consagrada o nome de Inês, porque, pela fortaleza de que dera provas, esta jovem de 15 anos recordava a valentia da mártir romana Santa Inês. Em 1212 São Francisco trouxe as duas irmãs para São Damião. Em 1220 Inês foi enviada para Florença, como abadessa do mosteiro de Monticelli, fundado no ano anterior. Mas muitos outros mosteiros de Clarissas se orgulham de ter hospedado a santa. Mais tarde regressou a São Damião, onde foi agraciada com uma aparição do Menino Jesus, por isso se representa por vezes Santa Inês com o menino Jesus nos braços. Em Assis Inês assistiu à morte da irmã Clara no dia 12 de agosto de 1253. No coro do pobrezinho convento de São Damião ainda se podem ler os nomes das primeiras companheiras que seguiram as pegadas de Santa Clara e São Francisco pelo caminho da renúncia total e absoluta pobreza. São conhecidos nomes de senhoras e jovens de Assis que em São Damião tiveram o seu primeiro ninho: Hortolana, Inês, Beatriz, Pacífica, Benvinda, Cristiana, Amada, Iluminada, Consolada… Os três primeiros nomes pertencem a mulheres da família de Santa Clara: Hortolana era a sua mãe, e Inês e Beatriz eram suas irmãs. Inês foi a primeira a seguir o exemplo da irmã Clara, quinze dias depois dela, pouco depois veio a outra irmã, Beatriz, e por fim a mãe Hortolona. Inês, além de ter sido a primeira, também foi a que mais fielmente seguiu a irmã, vivendo à sua sombra luminosa, sempre delicada e obediente, duma firmeza de caráter excepcional, quase viril, em especial na observância da pobreza. Como superiora foi terna e caridosa, mas inflexível e tenaz. Depois do regresso a São Damião, morreu serenamente três meses depois da irmã Santa Clara, a 16 de novembro de 1253, com 55 anos de idade.

Aconteceu neste sábado 17/11/12, o Retiro Espiritual anual da Fraternidade Nossa Senhora do Bom Parto. Momento de muita oração, espiritualidade franciscana e de muita integração entre os irmãos. O Retiro foi assessorado pela Ir. Maria José Torres ( nossa Assistente Espiritual). Com o tema: Advento, refletimos sobre esse momento tão importante na vida dos cristãos e da Igreja. O Retiro aconteceu no Convento dos Capuchinhos e foi um momento de muito enriquecimento espiritual para a vida da nossa Fraternidade. O Retiro encerrou-se com a celebração da Santa Missa onde estavam presentes os/as irmãos/ãs da Fraternidade Sagrado Coração de Jesus e da Juventude Franciscana, por ocasião da Festa de Santa Isabel da Hungria, nossa patrona. Após a celebração houve uma Confraternização Fraterna na sede da Frat. Sag. Coração de Jesus. LOUVADO SEJAS MEU SENHOR!

Meditações sobre o "Ano da Fé" - A Lumen gentium


Por Ian Farias.



Após a introdução sobre o Ano da Fé e suas perspectivas, damos início às meditações a partir dos documentos conciliares, neste período de um ano, para que com mais clareza e profundidade possamos observar os aspectos essenciais que o Concílio nos propusera e continua a nos propor por meio do Magistério.


Se por um lado a Constituição é uma leitura do Mistério da Igreja, peregrina neste mundo e esperançosa dos mistérios celestiais que Nosso Senhor há de dar-lhe como recompensa pelos seus méritos; por outro é uma manifestação da Igreja triunfante, que após peregrinar em meio a tormentos e procelas, faz-se agora partícipe da gloria salvífica do Seu Fundador, Cristo Jesus, Rei e Senhor do Cosmos.

Assim inicia a Constituição Dogmática Lumen gentium:
“A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar com a Sua luz, que resplandece no rosto da Igreja, todos os homens, anunciando o Evangelho a tcda a criatura (cfr. Mc. 16,15). Mas porque a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, pretende ela, na sequência dos anteriores Concílios, pôr de manifesto com maior insistência, aos fiéis e a todo o mundo, a sua natureza e missão universal. E as condições do nosso tempo tornam ainda mais urgentes este dever da Igreja, para que deste modo os homens todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros, pelos diversos laços sociais, técnicos e culturais, alcancem também a plena unidade em Cristo” (nº1).
As condições teológicas que se seguiram ao Concílio foram mesmo inquietantes para a realidade pastoral e teológica da Igreja; de fato, muitos não quiseram aceitar o contexto e o viés teológico proporcionado pelo mesmo, que não interrompia em nada o anterior, mas era uma continuidade, suscitado pelo Espírito como Dom à Igreja.

O Bem-aventurado João XXIII no discurso de abertura do Concílio ressalta o objetivo principal deste acontecimento: “O que mais importa ao Concílio Ecumênico é o seguinte: que o depósito sagrado da doutrina cristã seja guardado e ensinado de forma mais eficaz” (Papa João XXIII, Discurso de abertura do Concílio Vaticano II). Assim, não tende a outra finalidade senão continuar, como depósito da sã doutrina, a anunciar a Boa Nova como mandara o seu Senhor e a fazer-se porta-voz do consolo de Cristo nas necessidades hodiernas que impetram temor e tremor aos homens.

Em primeiro lugar, a Constituição enfatiza claramente que o Concílio é fruto da ação do Espírito, não uma ação humana, restrita ao âmbito terreno, mas é dom do alto, é força propulsora que faz os homens recobrarem o valor da misericórdia de Deus e a natureza missionária, pela qual a Igreja foi constituída e que era o tema central daquele momento de graça.  
Uma primeira realidade que encontramos logo de início, é a Igreja anunciadora, missionária, que adentra povos e culturas para lhes indicar o kerigma, a novidade do Evangelho. Para anunciar esta novidade, antes, é preciso que ela mesma resplandeça o Cristo, afinal ninguém pode dar aquilo que ainda não possui. Anunciar o Senhor, e anuncia-lo com alegria sempre nova: eis o ideal cristão!O cristão não pode se tornar suscetível às alegrias e tristezas do mundo, mas, se firmado na verdade, sua alegria é inabalável, sua coragem é imutável, sua determinação é inatingível, sua vida torna-se assim testemunho autêntico do projeto do Reino. E iremos encontrá-la sobretudo na expressiva riqueza dos documentos conciliares, que chamam os fiéis não a uma fé fechada, restrita a seus ideais, uma fé triste pelas dificuldades que acarretam o ser cristão; é sim uma conclamação a alegria de Cristo, a mesma alegria que invadiu as mulheres quando, ao contemplarem o Ressuscitado, foram anunciá-lo aos apóstolos. Naquela madrugada, tomadas pelo medo mas também pela alegria, as mulheres foram pressurosas aos apóstolos anunciar aquilo que o anjo mandara: “Não vos assusteis! Procurais Jesus, o nazareno, aquele que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde o puseram! Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro: ‘Ele vai à vossa frente para a Galileia, Lá o vereis, como ele vos disse!’” (Mc 16,6b-7).
E precisamente aqui reside o foco primeiro do Concílio: dar um novo caráter pastoral à Igreja. Não visava condenar heresias ou proclamar dogmas, mas reavaliar, fomentar, ilustrar o novo cenário que se despontava e, nesta perspectiva, aggiornar (atualizar) os ensinamentos eclesiásticos mostrando ao mundo o caráter sempre atual do Evangelho. Ainda nesse aspecto o Papa João XXIII afirmara no discurso de abertura: “Uma coisa é a substância do "depositum fidei", isto é, as verdades contidas na Doutrina da Igreja, e outra é a formulação com que são enunciadas, conservando-lhes, contudo, o mesmo sentido e o mesmo alcance. Será preciso atribuir muita importância a esta forma e, se necessário, insistir com paciência, na sua elaboração; e será necessário usar a maneira de apresentar as coisas que mais corresponda ao magistério, cujo caráter é prevalentemente pastoral”.

Um segundo aspecto é a manifestação da Igreja como Sacramento, emanada do lado aberto de Cristo, representada pelo sangue e pela água que jorraram do seu peito. Da Cruz brota para o mundo a Igreja, fincada no coração do Seu Senhor, ostentada pelo lenho da salvação. E por consequência desta ligação, mesmo com as adversidades constantes, com o cinismo religioso da parte de alguns, com o relativismo, com a descrença, Ela está indissoluvelmente estreitada ao lado de Cristo; desta forma, como nos diz o profeta, ela é receptáculo, beneficiada, por aquelas palavras que nos fazem atentar ao zelo pertinente que os cristãos tiveram nos séculos e que fizeram edificar-se na história: “Haurietis aquas in gaudium... – Haurireis águas com gáudio das fontes do Salvador” (Is 12,3).

O primeiro capítulo, portanto, está dedicado ao Mistério da Igreja e a sua história, desde a prefiguração do Antigo Testamento até a sua presença no contexto histórico-salvífico da humanidade, o qual continuaremos a ver, juntamente com outros documentos, no decorrer deste Ano da Fé.

Na Audiência Geral da Quarta-feira, 14 de Novembro, dando continuidade às suas meditações sobre o Ano da Fé, o Santo Padre Bento XVI, afirmou: "Muitos têm compreensão limitada da fé cristã, porque a identificam como um mero sistema de crença e de valores e não tanto com a verdade de um Deus revelada na história, desejoso de comunicar com o homem face a face, em um relacionamento de amor com Ele". 

Eis aqui o fundamento primeiro: amor! Uma palavra tão desgastada, tanto etimologicamente, quanto sentimentalmente. Transcorridos cinco decênios do Concílio faço insurgir um questionamento: temos sido a religião do amor e do perdão que Cristo tanto anunciou? Temos cumprido a primeira missão do ser cristão que reside convictamente no amor?Questionamentos pertinentes à nossa realidade que convidam-nos a realçarmos o papel primário do amor no âmbito cristão. 

Não desejo fazer uma meditação etimológica, teológica ou filosófica do amor, mas levar a uma realidade sobrepujante: a sua vivência. A realidade do amor é o fundamento do projeto salvífico de Cristo. Deus é o Deus da justiça, do perdão, da misericórdia, mas o é também – e sobretudo! – do amor. O Cristianismo, se esvaziado deste, perde todo o seu sentido, todo o seu significado maior, torna-se apenas um código de moral ou ética, rompe o laço trinitário, desvanece do seu caráter salvífico. Por isso, a Lumen gentium condiciona este caráter a estar arraigada em Cristo (“a Igreja,em Cristo...”), verdadeiro e único Salvador.

E se o amor é plano de fundo da comunhão entre os homens de boa vontade, é propício que também, atado a este, encontre-se outra definição eclesiológica conciliar: “instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”. De fato, como por nós é sabido, todo instrumento é servido para auxiliar em algo, a alguém. A Igreja, usada pelo próprio Cristo como seu Corpo Místico, ou segundo a expressão paulina, “esposa de Cristo” (Ef 5,22-32), não é dona dos mistérios que lhe foram confiados, mas é uma administradora fiel, prudente e materna, que sapientemente conduz e produz frutos abundantes. Está em todos os lugares e é porta voz de todos os povos. 

Parece-nos que, muitas vezes, temos nos invalidado desta missão de promovermos a unidade; ao contrário, percebemos também que em diversos atos temos sido promotores de discórdias e de lutas, seja com nossos irmãos crentes ou com os que professam outra fé. Cabe a nós fazermos valer este título de promotora da unidade com o gênero humano. Devemos dialogar em comum fitando-nos no mesmo ponto que é Cristo Jesus. Isso não significa aceitarmos os erros teológicos de outrem, mas dialogarmos pela passividade, pelo respeito e pela liberdade, reconhecendo a autonomia religiosa de cada um e fazendo com que o primeiro direito e dom de Deus, a vida, seja defendido em todos os lugares. 

A Igreja também é, antes de tudo, um caráter mistagógico, outrora oculto em Deus, hoje revelado e em parte realizado; é manifestação de Deus aos homens, graça doadora do Pai para que, reconstituindo os laços humanos divididos pelo pecado, pudessem reencontrar um caminho, um farol, para seguirem adiante e não desanimarem no curso histórico.

Sendo mistério de Deus a definimos, por conseguinte, como "mistério humano", ou ainda melhor diríamos: mistério aos homens. Não obstante ser genuinamente e basicamente projeto divino, ela não poderia desenvolver outro curso senão ao lado da história humana. É sabido que dentre as constituições ontológicas do homem, temos algo que lhe é inerente e, portanto, imutável: a sua passividade a errar. Deus, em sua absoluta grandeza, nunca está sujeito ao erro, uma vez que seria contrário à Sua natureza, e assim sendo, isto nos levaria a questionar a veracidade de Sua divindade; no entanto, sendo Deus o supremo arquiteto da graça e baluarte da salvação, doa aos homens a Igreja como propiciadora de uma feliz reconciliação, reatando os laços que, outrora, foram cortados pelo pecado.

Reafirmando a unicidade do homem com Deus e a impossibilidade de uma existência sadia longe d'Ele, o inimigo perversor semeia a intriga e a discórdia, para que seja a Igreja atacada de forma virulenta e possa desanimar de sua missão profética. Como bem alertara o Venerável Servo de Deus, Papa Pio XII, de imperecível memória, e com o qual findo esta primeira meditação: 
“Certamente, o ódio contra Deus e contra os que legitimamente lhe fazem as vezes é o maior crime que o homem pode cometer, criado como foi este à imagem e semelhança de Deus, destinado a gozar da sua amizade perfeita e eterna no céu; visto que pelo ódio a Deus o homem se afasta o mais possível do sumo Bem, sente-se impelido a repelir de si e do seu próximo tudo quanto vem de Deus, tudo quanto une com Deus, tudo quanto conduz a gozar de Deus, ou seja a verdade, a paz e a justiça” (Cart. Enc. Haurietis Aquas, 68). T

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


 SANTA ISABEL, patrona da Ordem Franciscana Secular, intercedei por cada irmão/ã franciscano/a para que em seu estado secular, na família, no trabalho e na sociedade, dêem exemplo de verdadeira fé e amor a Cristo e aos irmãos numa vida de doação, oração e caridade. NOSSA PROTETORA, ROGAI POR NÓS!