sábado, 15 de dezembro de 2012


Como a Bíblia pode
iluminar a nossa vida



O que é a Bíblia

A Bíblia é um conjunto de livros escritos durante vários séculos, por várias mãos. A palavra Bíblia, ao pé da letra, significa “livrinhos", plural da palavra grega biblíon ("livrinho") que, por sua vez, é o diminutivo da palavra biblos ("livro"). A palavra "Bíblia" para se referir às Sagradas Escrituras foi usada pela primeira vez por João Crisóstomo, no quarto século depois de Cristo.

Assim, a Bíblia consiste de uma coleção de livros menores, diferentes entre si. Cada um desses livros aborda uma mensagem com a finalidade de iluminar a vida do povo de Deus, de acordo com a realidade da época em que foi escrito. Há, ao todo, 73 livros, escritos de diversos modos: história, poesia, hinos, cartas e outros escritos, conforme a mensagem a ser comunicada.

Os 73 livros que se encontram na Bíblia cristã dividem-se em duas partes:Antigo e Novo Testamento. A palavra "testamento" vem da tradução grega para a palavra hebraica berit, que significa "aliança", "pacto".  Logo, as duas grandes partes da Bíblia referem-se à Antiga e à Nova Aliança entre Deus e o seu povo.

Existe uma diferença entre a Bíblia dos católicos e a dos protestantes. As Bíblias protestantes não trazem sete livros: Judite, Tobias, 1º Macabeus, 2º Macabeus, Baruc, Eclesiástico e Sabedoria, além de Ester 10,4-16,24 e Daniel 13-14. Estes livros foram considerados inspirados num segundo momento, quando a Bíblia hebraica já estava bem formada, e entraram no conjunto dos textos sagrados somente quando a Bíblia hebraica foi traduzida para o grego, na tradução da Setenta, por volta do ano 250 antes de Cristo. Como os protestantes aceitam somente a Bíblia hebraica como inspirada, estes textos ficaram de fora. Já os católicos aceitam a Bíblia grega e, portanto, os sete livros acima, escritos em grego, foram considerados sagrados. Hoje, porém, algumas Bíblias protestantes trazem também estes livros, que são conhecidos como "deuterocanônicos".
ANTIGO TESTAMENTO

Pentateuco (a Lei)
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio

Os cinco primeiros livros da Bíblia formam o Pentateuco. Pentateuco é uma palavra grega que significa "cinco livros". Foram escritos ao longo de 500 anos e falam da criação do mundo e da Aliança que Deus fez com o povo hebreu. 


Livros históricos
Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, 1 e 2 Macabeus

Os livros históricos formam a maior parte do Antigo Testamento. Contam a história desde a entrada na Terra Prometida até pouco antes do nascimento de Jesus. São divididos em três grupos:

a) Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis: procuram mostrar que o importante na caminhada do povo é a fidelidade à Aliança com Deus. Quando as lideranças e o povo são fiéis à Aliança, recebem a bênção; quando há desrespeito ao pacto, caem em desgraça.

b) 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, 1 e 2 Macabeus: escritos após o exílio na Babilônia, contam a história de modo a orientar o povo na reconstrução para organização e sobrevivência diante do poder estrangeiro.

c) Rute, Tobias, Judite, Ester: apresentam situações vividas pelos judeus na Palestina ou no estrangeiro, com a finalidade de iluminar o povo. Não são acontecimentos históricos. São histórias inventadas a partir de situações reais e concretas do povo.


Livros sapienciais e poéticos
Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico

Nestes livros, temos a sabedoria e a espiritualidade do povo de Deus. Os livros de sabedoria são cinco: Jó, Provérbios, Eclesiastes, Sabedoria e Eclesiástico. Os livros de poesia são dois: Salmos e Cântico dos Cânticos.


Livros proféticos
Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias

Os livros proféticos são tradicionalmente divididos em dois grupos: os profetas maiores e os menores, de acordo simplesmente com o tamanho dos livros. Os quatro maiores são Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Profetas foram aqueles que, ao longo da história, convocaram as lideranças e o povo para a conversão ou volta ao projeto de Deus, denunciaram situações injustas e alertaram para o julgamento de Deus. Anunciam a esperança, encorajam o povo a reconstruir sua própria história.



NOVO TESTAMENTO

Evangelhos
Mateus, Marcos, Lucas, João

A palavra "evangelho" quer dizer "boa notícia". Cada um dos quatro evangelhos narra a boa notícia de Jesus, sua vida e missão, desde o nascimento até a paixão, morte e ressurreição. Foram escritos entre 30 e 70 anos depois da morte e ressurreição de Jesus, a partir das histórias que as comunidades recordavam e transmitiam de boca em boca. Os Evangelhos foram escritos não para mostrar os fatos históricos exatamente como aconteceram, e sim como um meio de se manter viva a lembrança das ações e das palavras de Jesus, para que continuassem iluminando sempre a vida do povo.


Atos dos Apóstolos
Atos dos Apóstolos

O evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos formam uma só obra. O evangelho de Lucas apresenta o caminho de Jesus, da Galiléia a Jerusalém. Os Atos dos Apóstolos mostra o caminho das primeiras comunidades cristãs, ou seja, dos discípulos de Jesus, de Jerusalém a Roma. 


Cartas
Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1 a 3 João, Judas

As cartas encontradas no Novo Testamento são divididas em dois grandes grupos: as cartas de Paulo e as cartas católicas. As cartas de Paulo visam responder a situações concretas e resolver problemas específicos das várias comunidades que o apóstolo acompanhava. As sete cartas católicas, ou universais, foram escritas para toda a Igreja, e não para pessoas ou comunidades em particular. Essas cartas são: uma de Tiago, duas de Pedro, três de João e uma de Judas.


Apocalipse
Apocalipse de João

O Apocalipse de João foi escrito para iluminar a vida das comunidades que enfrentavam a perseguição no final do primeiro século depois de Cristo. Nesse livro, há muitas imagens e símbolos do Antigo Testamento que para nós muitas vezes dificultam a compreensão, mas eram familiares ao povo da Bíblia. A palavra apocalipse não quer dizer previsão sobre o futuro, mas revelação. No Apocalipse encontramos a revelação do próprio Jesus Ressuscitado. 



Abreviaturas e citações

Para facilitar as citações em geral, os livros da Bíblia foram divididos em capítulos e os capítulos em versículos (pequenos versos). Existem várias traduções da Bíblia no Brasil, e por isso, o modo mais prático de citar um texto não é pelo número da página, e sim pelo livro, seguido do capítulo e do versículo. Cada livro é citado usando-se uma abreviatura. A lista a seguir apresenta as abreviaturas dos livros bíblicos por ordem alfabética:

Ab
Abdias
Ag
Ageu
Am
Amós
Ap
Apocalipse
At
Atos dos Apóstolos
Br
Baruc
Cl
Colossenses
1Cor
1ª carta aos Coríntios
2Cor
2ª carta aos Coríntios
1Cr
1º livro das Crônicas
2Cr
2º livro das Crônicas
Ct
Cântico dos Cânticos
Dn
Daniel
Dt
Deuteronômio
Ecl
Eclesiastes (Coélet)
Eclo
Eclesiástico (Sirácida)
Ef
Carta aos Efésios
Esd
Esdras
Est
Ester
Ex
Êxodo
Ez
Ezequiel
Fl
Carta aos Filipenses
Fm
Carta a Filemon
Gl
Carta aos Gálatas
Gn
Gênesis
Hab
Habacuc
Hb
Carta aos Hebreus
Is
Isaías
Jd
Carta de Judas
Jl
Joel
Jn
Jonas
Jo
Evangelho segundo João
1Jo
1ª carta de João
2Jo
2ª carta de João
3Jo
3ª carta de João
Jr
Jeremias
Js
Josué
Jt
Judite
Jz
Juízes
Lc
Evangelho segundo Lucas
Lm
Lamentações
Lv
Levítico
Mc
Evangelho segundo Marcos
1Mc
1º livro dos Macabeus
2Mc
2º livro dos Macabeus
Ml
Malaquias
Mq
Miquéias
Mt
Evangelho segundo Mateus
Na
Naum
Ne
Neemias
Nm
Números
Os
Oséias
1Pd
1ª carta de Pedro
2Pd
2ª carta de Pedro
Pr
Provérbios
Rm
Carta aos Romanos
1Rs
1º livro dos Reis
2Rs
2º livro dos Reis
Rt
Rute
Sb
Sabedoria
Sf
Sofonias
Sl
Salmos
1Sm
1º livro de Samuel
2Sm
2º livro de Samuel
Tb
Tobias
Tg
Carta de Tiago
1Tm
1ª carta de Timóteo
2Tm
2ª carta de Timóteo
1Ts
1ª carta aos Tessalonicenses
2Ts
2ª carta aos Tessalonicenses
Tt
Carta a Tito
Zc
Zacarias

Exemplos
Para indicar todo o capítulo 12 do Gênesis, basta escrever Gn 12.

Para indicar o versículo 3 do capítulo 12, escreve-se Gn 12,3.
Como se vê, capítulo e versículo são separados por vírgula.

Para indicar mais de um versículo, basta usar um hífen entre eles:
Gn 12,1-3 se refere, por exemplo, ao livro do Gênesis, capítulo 12, do versículo 1 até o 3.

Quando se quer indicar versículos que não se encontram na seqüência, usa-se o ponto: Gn 12,1.4.7.14 se refere ao capítulo 12 do Gênesis, versículos 1, 4, 7 e 14.

O mesmo vale para os capítulos: Gn 11-14 se refere aos capítulos 11 até o 14 do livro do Gênesis. Já Gn 11.14 se refere aos capítulos 11 e 14, saltando os capítulos 12 e 13.

Para citar textos em versículos de diversos capítulos, usa-se o ponto-e-vírgula: Gn 11,12; 13,4; 15,7 se refere ao livro do Gênesis, capítulo 11, versículo 12; capítulo 13, versículo 4; capítulo 15, versículo 7.

Uma citação como Gn 11,3-14,7 merece atenção. Note-se que depois do hífen existe outra vírgula, e não o ponto-e-vírgula como no exemplo anterior. Como vimos, o número antes da vírgula indica sempre o capítulo. Assim, a citação Gn 11,3-14,7 está indicando o livro do Gênesis, do capítulo 11, versículo 3, até o capítulo 14, versículo 7.

Exercícios
Para criar familiaridade com as citações, procure na Bíblia os seguintes textos:
Mt 5,1-12
Lc 11,1-4
Jo 3,1-3.9-11
Ex 20,1; 21,1-2
Gen 2,4-3,24





Em que acreditam os católicos?



1. Por que os católicos veneram a Virgem Maria?


R: Os católicos veneram Maria, porque Deus a escolheu para ser a Mãe de seu Filho, Jesus. Nosso amor e veneração pela Mãe do Filho de Deus encarnado já se encontram mencionados no Evangelho, quando ela mesma diz: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). Demonstramos nosso amor à Virgem Maria nas festas que a Igreja celebra em seu louvor ou quando rezamos o Rosário, contemplando Jesus com Maria. Mas também a cada dia, quando nos dirigimos a ela pedindo seu auxílio, quando rezamos com amor a “Ave Maria”, quando colocamos sob sua proteção materna nossa vida. Em sua primeira parte, a oração da “Ave-Maria” tem fundamento bíblico, pois contém as palavras do Evangelho de Lucas 1,28.42.
Adoramos somente a Deus. A Maria dedicamos especial amor, a imitação, o respeito e a confiança que seu próprio Filho, Jesus, lhe dedicou. Ela é a criatura que está mais próxima do Senhor. Ela é a primeira criatura plenamente glorificada, sinal concreto da eficácia da salvação de Jesus Cristo na nossa humanidade. Venerar Maria significa professar a nossa fé na poderosa realização da Páscoa de Jesus Cristo em nós, criaturas e filhos. Interessa-se por nós, ama-nos como a filhos queridos, pois o próprio Jesus nos confiou a ela: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26). Temos especial carinho por Maria, em obediência a Jesus e por fidelidade ao Evangelho: “Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19, 27). Por isso podemo-nos dirigir a ela, confiando em sua intercessão materna em todas as nossas necessidades.
Jesus mesmo mostrou como lhe agradava a intercessão de Maria, quando for ocasião das Bodas de Caná, a pedido de sua mãe, realizou o primeiro sinal (cf. Jo 2,1-11). Quanto mais assemelhado a Cristo, tanto mais os cristãos devem nutrir os sentimentos de veneração e estima filial que Jesus nutria para com a sua mãe.

 
2. Por que dizemos que Maria é a Mãe de Deus?

R: A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, porque é a Mãe do Filho Eterno de Deus feito homem. Os Evangelhos a denominam como “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1; 19,25). Desde antes do nascimento de seu Filho, ela é chamada de “a Mãe do meu Senhor” (Lc 1,43).
Maria não gerou Deus. Mas gerou e deu à luz Jesus, que é realmente o Filho de Deus. Por isso ela pode ser chamada “Mãe de Deus”. Falando assim, afirmamos nossa fé na divindade de Jesus, confessamos que Jesus é um só ser, humano e divino, é o Filho de Deus que se fez homem.
A fórmula “Maria, Mãe de Deus” preserva uma das verdades mais fundamentais da fé, a verdade da encarnação e a maneira como Deus realizou a redenção do gênero humano. Como os Padres da Igreja diziam, o Verbo de Deus se fez homem para que a humanidade fosse divinizada.


3. Jesus Cristo teve irmãos? Sua mãe teve outros filhos?


R: Em sete textos do Novo Testamento são mencionados os “irmãos” de Jesus (Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 2,12; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1 Cor 9,5). Segundo Mc 6,3 chamavam-se Simão, Tiago, José e Judas. O episódio da peregrinação aos doze anos, quando os pais não deixariam o lar por quinze dias com filhos pequenos (Lc 2,41-42), e o episódio da entrega da mãe a João na cruz seriam incompreensíveis se Jesus tivesse outros irmãos em casa (Jo 19,26s). O termo irmão usado supõe um contexto lingüístico pobre de vocabulário: a palavra aramaica “irmão” podia significar não somente os filhos dos mesmos genitores, mas os primos ou parentes mais distantes. Com efeito, Tiago e José, “irmãos de Jesus” (Mt 13,55), são filhos de outra Maria, discípula de Jesus (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, chamados de irmãos, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento (Gn 13,8; 14,16; 29,15). “O que foi gerado nela vem do Espírito Santo”, diz o anjo a José acerca de Maria, sua noiva (Mt 1,20). A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria. Cristo é o Filho único de Maria, nela concebido pelo poder do Espírito Santo.


4. Por que dizemos que Maria é a Mãe da Igreja?


R: Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar em seu plano de salvação do gênero humano. Foi chamada a ser a Mãe do Redentor e respondeu a este apelo com seu “sim” (cf. Lc 1,38). O Evangelho nos mostra como ela está presente junto a este Jesus, indicando-lhe a ocasião para que Ele fizesse seu primeiro milagre, nas bodas de Caná. Por este milagre, seus discípulos chegaram à fé em Jesus (cf. Jo 2,11). Mas foi na cruz que Maria recebeu a missão de ser mãe dos discípulos de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19,26). Por isso ela ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de Pentecostes (cf. At 1,14). Esta sua missão não passou. Até a segunda vinda de Cristo, a consumação do Reino de Deus, Maria continua realizando seu papel de mãe amorosa para com toda a Igreja e cada um de seus filhos.


5. Por que chamamos a Mãe de Jesus de Nossa Senhora? Não existe apenas um Senhor?


R: A palavra senhor, na linguagem cotidiana, é usada como um tratamento respeitoso, dado a algumas pessoas, pais, professores, autoridades... dentre outras.
Na Idade Média, São Bernardo, vendo como cada “senhor” apresentava sua “senhora”, lembrou que Jesus nos deu uma “Senhora” para amparar a todos. Desde então Maria é chamada de “Nossa Senhora”. Trata-se de um título da devoção popular.
A Mãe de Jesus, com toda certeza, merece esse respeito e, por isso, a designamos comumente como Senhora, sem qualquer conotação com o sentido especificamente bíblico do termo Senhor. Na Sagrada Escritura, este termo é carregado de um sentido muito maior. Senhor é o nome próprio para designar a divindade do Deus de Israel, desde que se revelou a Moisés como Iahveh, “aquele que é”, traduzido na versão grega dos livros do Antigo Testamento por Kyrios, “Senhor”. No Novo Testamento, a palavra Senhor é utilizada neste sentido mais forte. Jesus é chamado de Senhor por aqueles que dele se aproximam com respeito e confiança no seu poder de ajuda e cura. Nos encontros com Jesus Ressuscitado, o termo Senhor aparece como expressão de adoração: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28). Jesus é “de condição divina” (Fl 2,6), o Senhor, digno do mesmo poder, honra e glória devidos ao Pai. Ele é o Senhor da vida e da história, por quem a Igreja clama: “Amém, vem Senhor Jesus!” (Ap 22,20). O nome Senhor indica, portanto, a soberania divina. Quem confessa ou invoca Jesus como Senhor demonstra que crê na sua divindade. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito Santo” (1 Cor 12,3).


6. Que significa ser santo?

R: No Evangelho de São Mateus (5,48), encontramos estas palavras de Jesus: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”. Deus é o único santo (Lv 19,2). Pelo Batismo, recebemos a graça de Deus. A Santíssima Trindade vem habitar em nós. Somos templos de Deus e queremos conservar sempre Deus em nós e abrirmo-nos sempre mais a Ele, deixando que sua graça nos transforme (2Cor 6,16). Vamos assim nos assemelhando cada vez mais ao Deus Santo. Isto é certamente fruto de nosso esforço, mas é, sobretudo, dom de sua graça.
Deus é amor. Ser santo é, portanto, viver o amor puro a Deus e aos irmãos. Jesus mesmo falou que os “benditos de seu Pai” são aqueles que, por causa dele, fazem o bem a todos os que necessitam (cf. Mt 25,34-40). O martírio constitui o cume da santidade, porque faz do cristão um seguidor de Jesus Cristo, até o ponto de poder dizer como o Apóstolo Paulo: “Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo” (1Cor 11,1). Santos são, portanto, todos aqueles que viveram o Evangelho e se encontram na casa do Pai.


7. O que é canonização dos santos?


R: Canonização é a sentença definitiva pela qual a Igreja declara que alguém participa da glória celeste e prescreve que lhe seja prestada veneração pública. Uma pessoa não é santa porque a Igreja a canoniza, mas a Igreja a canoniza porque ela é santa. A Igreja, pelo magistério solene e universal do Papa, reconhece a santidade dos nossos irmãos.
Desde os primeiros tempos a Igreja cultuava os mártires e os confessores da fé. O heroísmo da fé, o ardor da caridade e das outras virtudes dos amigos de Deus, reconhecidos pelas pessoas que conviviam com eles, ocasionavam a proclamação espontânea da santidade destes cristãos. Registravam-se bispos, monges missionários, os fundadores de conventos e mosteiros, pais e mães de família, jovens etc. Até o séc. VI bastava o reconhecimento da comunidade cristã para que se desse início ao culto. Com o tempo a Igreja exigiu um procedimento mais detalhado e a canonização passou a ser feita pelo papa.
Com a canonização de alguém, a Igreja nos propõe exemplos de vida e mostra de modo vivo que todos nós somos chamados a corresponder plenamente ao chamado de Deus de sermos como Ele é (cf. Mt 5,48). Os santos são discípulos exemplares de Jesus Cristo e ajudam os seus irmãos a conhecerem os caminhos do Evangelho e da imitação de Jesus Cristo. Mostra ainda que participamos de uma Comunidade, a Igreja, que, apesar de tantas falhas de seus filhos, tem em seu seio verdadeiros heróis da fé e do amor, pessoas como nós que hoje, na glória de Deus, intercedem por nós.


8. O que é o culto (veneração) dos santos?

R: Cristo é a cabeça de um Corpo que é a Igreja, cujos membros são todos os cristãos. Existe, então, entre a Cabeça e o Corpo uma comunhão de vida e de interesses entre Cristo e os cristãos, assim como os cristãos entre si. Os santos são membros do Corpo Místico de Cristo nos quais a Redenção alcançou a plenitude dos seus frutos. Terminada a peregrinação terrestre, plenamente compenetrados pelo amor de Cristo e configurados n’Ele, os santos gozam atualmente da visão de Deus face a face. Conscientes desta verdade, os cristãos, desde os primeiros séculos, entendendo que esta nova situação não cancela a comunhão e a solidariedade, começaram a venerar santos como intercessores em favor daqueles que ainda peregrinam pelas estradas deste mundo, entre as suas vicissitudes.
Na perfeição dos santos, os cristãos, em primeiro lugar, adoram, louvam e bendizem a obra do Criador e Redentor, a expressão perfeita de sua sabedoria e vitória. Segundo, invocando a bondade de Deus e de suas obras, o culto dos santos desperta nos que estão em estado de peregrinação o desejo de chegarem também eles à Jerusalém celeste, onde se encontram os bem-aventurados. A intercessão dos justos, sobretudo, dos que alcançaram a plenitude, sendo agradável a Deus (cf. Gn 18,22-32), pode obter as graças espirituais e materiais para aqueles que necessitam conseguir a plenitude da Redenção (cf. Rm 8,29). Trata-se de uma comunhão em que, os santos, em virtude de sua caridade, não podem deixar de orar por quem não “está ainda na Pátria, mas a caminho”.
A intercessão dos santos não tem a função de informar Deus de necessidades que lhe são ignoradas, mas, sobretudo, de fazer com que os fiéis possam compreender e corresponder mais plenamente ao plano e à vontade de Deus.


9. Os santos intercedem por nós junto de Deus?


R: Todos nós que vivemos na graça de Deus estamos em comunhão com Deus. Somos ramos vivos da videira (cf. Jo 15,5), membros vivos do Corpo de Cristo. Por isso, estamos unidos também entre nós, numa ligação invisível, mas real (cf. Rm 12,4-5). É uma comunhão no amor. Por isso eu posso rezar por alguém ou pedir que alguém reze, interceda por mim: porque estou ligado a Cristo e, n’Ele, ao meu irmão. Da mesma forma, posso pedir a um santo canonizado que interceda por mim junto ao Senhor. Gozando da intimidade com Deus, certamente ele intercederá por minhas intenções, para que o reino de Deus se realize (cf. Mt 6,33).


10. Como entender a doutrina das indulgências?


R: A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estritamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência (CIC, 1471). “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados, quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas circunstâncias, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos santos. A indulgência é parcial ou plenária, conforme libera total ou parcialmente da pena devida pelos pecados” (Paulo VI, Indulgentiarum doctrina, normas 1-3.). “Qualquer fiel pode alcançar indulgências parciais ou plenárias para si mesmo ou aplicá-las aos defuntos como sufrágio” (cân. 994). As indulgências existem porque o pecado tem uma dupla conseqüência: o pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, conseqüentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama pena eterna do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer nesta vida, quer depois da morte, no estado chamado purgatório. A purificação liberta da chamada pena temporal do pecado, que permanece mesmo após a confissão sacramental e o perdão. Obras de misericórdia, a caridade, orações e práticas de penitência podem produzir a graça da indulgência parcial ou total. Ao conferir as indulgências, a Igreja, que recebeu de Cristo o poder de ligar e desligar, intervem a favor dos cristãos, abrindo-lhes os tesouros dos méritos de Cristo e dos santos, para obter do Pai a remissão das penas temporais devidas aos pecados.


11. Os católicos adoram imagens?


R: Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano, por meio do qual Deus invisível se tornou visível. Por essa razão, Cristo pode ser representado e venerado nas santas imagens.
O que Deus no Antigo Testamento proíbe é fazer imagens para serem adoradas como deuses (Ex 20,4). Mas não proíbe fazer outras imagens (Ex 25,18-20; Num 21,8-9; 1 Rs 6,23-35 e 7,29). A bíblia mesma diz que Deus fez o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gn 1,26-27).
A imagem faz parte da linguagem humana, é a representação de alguma pessoa, coisa, idéia. Assim, o desenho de uma flor, as fotos de uma pessoa e a pintura de uma paisagem são imagens.
A imagem de Cristo é o ícone por excelência. As outras que representam Nossa Senhora e os santos, significam Cristo, que nelas é glorificado. Proclamam a mesma mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite mediante a palavra e ajudam a despertar e a nutrir a fé dos crentes.
A Tradição cristã reconheceu reiteradamente o valor pedagógico e psicológico das imagens como suportes para a catequese, a oração e a evangelização. Numa época das imagens, como a que vivemos, o uso das imagens cristãs pode ser uma grande contribuição para a evangelização. Mas é claro que o católico não adora a imagem, e sim, venera aquele que é representado por ela, e adora somente a Deus.


12. Por que a Igreja batiza crianças?


R: A Bíblia não se refere explicitamente ao Batismo de Crianças, mas narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar “com toda a sua casa”: Cornélio, o centurião romano (At 10,1s.24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (at 16,14s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8), a família de Estéfanas (1 Cor 1,16). A expressão “casa” designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças (que, certamente, não faltavam, naqueles tempos). Portanto, indiretamente, as Escrituras sugerem o Batismo de crianças.
Desde os primeiros séculos existem testemunhos diretos a respeito do Batismo de crianças. Santo Agostinho, no século IV, considerou inclusive como tradição recebida dos apóstolos. Recorrendo à Sagrada Escritura e à Tradição, os Papas e Concílios intervieram, muitas vezes, para recordar aos cristãos o dever de batizar os filhos pequeninos.
Os pais, quando pedem o batismo de seus filhos, desejam para eles a vida eterna, verdadeira e feliz, mas não podem garantir este dom durante todo o tempo futuro e desconhecido. Por isso, querem inserir seus filhos na vida divina. E o fazem por meio do Batismo. E desta forma se tornam os primeiros responsáveis pela educação da fé de seus filhos e afilhados.


13. Se a Bíblia diz: “Quem pode perdoar os pecados senão só Deus”? (Mc 2,7), por que confessar-se com o padre?


R: Jesus no Evangelho, confiou o ministério da remissão dos pecados aos seus discípulos. Antes da Paixão, prometeu a Pedro (Mt 16,19) e aos outros apóstolos (Mt 18,18) o poder de ligar e desligar na terra e no céu. Depois da ressurreição, confiou aos onze a faculdade de perdoar ou reter os pecados (Jo 20,21-23). Com o poder das chaves, entregou aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos pecadores, habilitando-os, ao mesmo tempo, a absolver ou repreender em seu nome. Segue-se, então, que a confissão aos bispos e aos sacerdotes foi atestada pelos documentos já na antiga literatura cristã. Além disso, deve-se considerar que o pecado não é somente um ato que atinge a Deus e ao mesmo pecador; tem profundas conseqüências para as outras pessoas, para a comunidade dos irmãos. Compreende-se, então, que a remissão outorgada por Deus passe através dos ministros da Igreja, enquanto representantes da comunhão dos santos e o próprio Deus.


14. Para o católico, o casamento é sacramento indissolúvel. Como entender?

R: “Radicada na doação pessoal e total dos cônjuges e exigida pelo bem dos filhos, a indissolubilidade do matrimônio encontra a sua verdade última no desígnio que Deus manifestou na revelação: Ele quer e concede a indissolubilidade matrimonial como fruto, sinal e exigência do amor absolutamente fiel que Deus Pai manifesta pelo homem e que Cristo vive para com a Igreja” (FC 20).
Em alguns textos o Novo Testamento trata da indissolubilidade do matrimônio (Mc 10,11s; Lc 16,18; 1 Cor 7,10s; Mt 5,31s; Mt 19,6). Trata-se de uma indissolubilidade objetiva, derivada do projeto salvífico de Deus e de sua ordem de valores, independente da subjetividade dos contraentes; quem contrai o matrimônio cristão deve sabê-lo de antemão. Jesus assim o diz: “O que Deus uniu o homem não o deve separar” (Mt 19,6); então, por sua índole mesma, o matrimônio é indissolúvel.
A Tradição Cristã, desde os primeiros séculos, apresentou diversas vozes importantes (Tertuliano, Clemente de Alexandria Orígenes, Ambrósio e Agostinho como exemplos) favoráveis à indissolubilidade do matrimônio religioso validamente contraído. No decorrer dos séculos, a doutrina da indissolubilidade foi sempre reafirmada pelos concílios e pelas declarações pontifícias.


15. Quem é o Papa para nós, católicos?


R. O Papa é o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma que Jesus constitui como “perpétuo e visível fundamento da unidade” (LG 23). Como sucessor de Pedro, o Papa conduz a Igreja de Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). Sua autoridade é expressão do amor a serviço da unidade. Na expressão de Gregório Magno, ele é o “Servo dos Servos de Deus”.
O Papa é o pastor de toda a Igreja. O Senhor confiou a Pedro todo o rebanho (Jo 21,15-17). Na cidade de Roma, Pedro desempenhou o seu ministério e foi martirizado. Assim o Papa, com os bispos unidos a ele, conserva o testemunho do martírio de Pedro e também de Paulo, sendo o sinal visível da unidade da Igreja. Sua presença expressa e significa a continuidade da Palavra de Cristo e da doutrina dos Apóstolos na Igreja, a segurança da fé, da esperança e da caridade.
O Papa tem a missão de confirmar toda a Igreja na fé, continuando a mesma tarefa que Cristo deu a Pedro: “Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). O Papa, com os bispos unidos a ele, tem a missão de conservar a Igreja fiel ao Evangelho e ao testemunho dos apóstolos.

Todo católico, além de conhecer e viver a Palavra de Deus, de dar testemunho da sua fé em Cristo, de participar da comunidade eclesial, espaço de testemunho, de serviço, de diálogo e de anúncio, ama e respeita o Papa e os Bispos como seus legítimos pastores. Ora por eles e obedece às orientações da Igreja Católica.



16. O católico pode acreditar na reencarnação?


R: O católico não pode crer na reencarnação, a teoria segundo a qual a alma, deixando o corpo após a morte, passaria para outro corpo. A Bíblia ensina que cada pessoa tem uma só existência sobre a terra e que, após essa vida, comparece diante de Deus para ser julgada. Diz a Carta aos Hebreus (9,27): “Está estabelecido que os homens morram uma só vez e, depois disso, o juízo.” De fato, Jesus e os Apóstolos não pregaram a reencarnação e sim a ressurreição dos mortos: “Vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros hão de ouvir a voz do Filho do homem. Os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5, 28-29; 6,54; Mc 3,29; 9,43-48). Da mesma forma, os Apóstolos ensinaram que a ressurreição de Cristo é garantia da nossa ressurreição (cf. 1Cor 15,12-19). A Igreja nos convida a vigiar “constantemente, a fim de que, terminando o único curso de nossa vida terrestre, possamos entrar com Cristo para as bodas e mereçamos ser contados entre os benditos!” (LG, 48).


17. Qual a doutrina da Igreja Católica sobre o purgatório?


R: O Purgatório é a purificação final dos eleitos que morreram na graça e na amizade de Deus, mas que não alcançaram, ainda, a santidade necessária para usufruir da alegria celestial. Esta doutrina tem como ponto de referência vários textos da Sagrada Escritura, a exemplo de 1 Cor 3,13-15, no qual São Paulo fala de pecados leves que serão queimados pelo fogo: “... o fogo provará o que vale, o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo”. Lemos, ainda em Pd 1,7, quando o Apóstolo nos fala sobre a ressurreição e a esperança da salvação: “... para que a prova a que é submetida a vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo se manifestar”. A purificação final nada tem a ver com o castigo dos condenados. Não podemos nos esquecer que Deus é rico em misericórdia, mas também o justo juiz.


18. Quem fundou a Igreja Católica Apostólica Romana?


R: A Igreja de Deus foi prefigurada desde a criação do mundo. O Antigo Testamento se refere às alianças de Deus com o justo Abel, com Noé e com Abraão. Dessas alianças, voltadas para a adoração do Criador e para a busca da salvação, nasceu verdadeira comunhão de Deus com os seres humanos. A Igreja foi preparada na história do antigo Israel e na antiga aliança. Segundo São Paulo, ela é herdeira das promessas que Deus fez a Abraão (cf. Gl 3,15-19), pois a descendência de Abraão não foi segundo a carne, mas segundo a fé. Do antigo Israel, a Igreja recebeu as Escrituras do Antigo Testamento. Mesmo o Novo Testamento originou-se, de certo modo, de uma leitura cristológica do Antigo Testamento, pois Cristo é a realização das promessas nele contidas. A Igreja foi fundada por Cristo, através da pregação do Evangelho, o envio dos discípulos em missão, sua paixão, morte e ressurreição e através do envio do Espírito santificador sobre os apóstolos. O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja chamada Lumen Gentium,  fala de atos fundantes da Igreja, realizados pelo Senhor. Atos fundantes da Igreja foram, por exemplo, a convocação dos Doze; a instituição da Eucaristia; a Ressurreição de Jesus e a vinda do Espírito Santo. A Igreja é a comunidade em que o Ressuscitado está presente: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). Foi manifestada em Pentecostes: “Ide, portanto, e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).


19. Em que a Igreja Católica difere das demais Igrejas cristãs?


R: Apesar da divisão entre os cristãos, ao longo da história, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo não desapareceu, nem foi perdida: ela subsiste na Igreja Católica. Esta possui todos os elementos de eclesialidade que encontramos no Novo Testamento: a mesma fé, os sete sacramentos, a sucessão do colégio apostólico, a dimensão episcopal, a sucessão do ministério petrino exercido pelo papa, o ministério da Palavra não só como anuncio, mas também como magistério autêntico, isto é, como ensino normativo em nome de Cristo. Em nenhum outro lugar se encontra, como na Igreja Católica, a plenitude dos meios salvíficos queridos por Cristo.


20. O que vem a ser Ecumenismo?


R: É a aproximação, a cooperação entre os cristãos, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes Igrejas cristãs: os católicos, os ortodoxos, os anglicanos e os protestantes, crentes e evangélicos. O Concílio Vaticano II assim apresenta o movimento ecumênico: “Dele participam os que invocam o Deus Trino e confessam a Jesus como Salvador e Senhor, não só individualmente, mas também reunidos em assembléias, onde ouviram o Evangelho e que declaram, cada um, ser sua Igreja e a de Deus. Quase todos, porém, embora diversamente, desejam uma Igreja de Deus una e visível, que seja verdadeiramente universal e enviada ao mundo inteiro a fim de que o mundo se converta ao Evangelho e assim seja salvo para a glória de Deus” (Unitatis Redintegratio 1).


21. Santificação do sábado ou do domingo?


R: A Bíblia ordena: “Lembra-te de santificar o dia de sábado” (Ex 20,8). Por que então os católicos guardam o domingo? A palavra sábado vem do hebraico shabat que significa “descanso”. É dia de descanso em honra de Deus. Para os cristãos, o dia sabático consagrado a Deus é o domingo. Em Marcos 2,27-28, afirma Jesus: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do Homem é Senhor também do sábado.” Fatos relevantes da vida do Senhor e da Igreja primitiva aconteceram no domingo, como, por exemplo, a Ressurreição e Pentecostes. A Igreja primitiva reunia-se no primeiro dia da semana (At 20,7; 1Cor 16,2). Em Apocalipse 1,10, São João Evangelista já usa a nova denominação cristã, “domingo, dia do Senhor”, o dia de sua ressurreição e da vinda do Espírito Santo à Igreja da Nova e Eterna Aliança, como o atesta toda a tradição cristã (Mc 16,9 e At 2,1).  Por esta razão a Igreja Católica observa o domingo como dia consagrado ao Senhor.


22. A Bíblia é a única fonte da fé?


R: Para nós católicos, a Bíblia não é a única fonte de fé. Além da Bíblia, existem a tradição apostólica e o magistério da Igreja. Tanto o Antigo como o Novo Testamento foram divulgados pela tradição oral antes de serem escritos. O Novo Testamento somente ficou completo no final do primeiro século. Sempre coube ao Magistério da Igreja garantir a autenticidade dos textos bíblicos e sua legítima interpretação.

 

 

23. Por que os fiéis honram a Eucaristia e lhe prestam o culto máximo de adoração?


R: Quem recebe a comunhão eucarística deve estar em estado de graça, pois a Eucaristia contém o próprio Cristo Senhor, que nela se oferece e se recebe, mediante os sinais do pão e do vinho consagrados. Pela Eucaristia, a Igreja continuamente vive e cresce. A Eucaristia é o memorial da morte e da ressurreição do Senhor, confiado à Igreja, pelo qual se perpetua, pelos séculos, o sacrifício da cruz. Os fiéis têm em máxima honra a Eucaristia e, por isso, buscam participar ativamente da celebração eucarística, recebê-la muitas vezes, com a máxima devoção e prestar-lhe culto de suprema adoração. A Eucaristia é a presença real de nosso Senhor Jesus Cristo. A Eucaristia significa e realiza a unidade do povo de Deus, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã. (Cf. cânones 897-898; SC 47; LG 11 e PO 5, entre outros documentos.) Uma vez que Cristo mesmo está presente no Sacramento do altar também depois da celebração da Missa, é preciso honrá-lo com um culto de adoração. “A visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo, nosso Senhor” (Cf. CIC 1418.).


24. O que diferencia a Bíblia dos Católicos?


R: As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus” (DV 24). A Igreja venera como inspirados os 46 livros do Antigo (45, se considerarmos Jeremias e Lamentações juntos) e os 27 livros do Novo Testamento. A Bíblia Católica é completa, isto é, contém todos os livros que formam o conjunto das Sagradas Escrituras. Esta lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras. Nas versões protestantes, faltam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 de Macabeus e partes dos livros de Ester e de Daniel. “A interpretação da Escritura está sujeita, em última instância ao juízo da Igreja, que exerce o divino mandato do guardar e interpretar a Palavra de Deus” (DV 12,3).