AINDA HOJE FRANCISCO DE ASSIS É UM INSTRUMENTO DA PAZ E DO BEM A LEVAR CRISTO AOS CORAÇÕES DOS HOMENS E MULHERES DE NOSSO TEMPO!
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
São Francisco de Assis
1181-1226
| Biografia
Giovanne di Pietro di Bernardone nasceu na cidade italiana de Assis, por volta dos anos de 1182. O pequeno garoto foi batizado, posteriormente, com o nome de Francisco, em homenagem à França - país onde seu pai comerciante costumava viajar para realizar grandes negócios.
Durante boa parte de sua juventude, Francisco viveu em meio ao luxo e agitada vida social, graças à riqueza e prosperidade do comércio de tecidos de seu pai. Na época em que Francisco viveu, a Igreja passava por momentos difíceis. Vivia mergulhada numa riqueza e poder muito grande, longe do Evangelho anunciado por Jesus Cristo. Era também uma época de guerras: da Igreja contra os muçulmanos, de cidade contra cidade, do Papa contra o imperador. Por volta de seus vinte anos, o jovem alistou-se no Exército e lutou a favor dos pobres de Assis contra os nobres defendidos pela cidade vizinha de Perúgia, que saiu vitoriosa após o combate. Foi nessa cidade que Francisco foi preso e, após um ano de encarceramento, viu-se humilhado e com a saúde bastante debilitada. Após meses de recuperação, o jovem sentiu-se diferente. Não mais sentia prazer nas festanças e banquetes da nobreza de Assis. Foi, então, enviado às Cruzadas. |
Tempo de Conversão de São Francisco
No caminho de volta a Assis, sua vida mudou radicalmente. Diversos acontecimentos afirmaram a vocação de Francisco de servir Jesus e seu evangelho, e sua conversão gradual se iniciou. Dentre eles, nas ruínas da Igreja de São Damião, quando ouviu a imagem de Cristo dizer-lhe: “Francisco, restaure minha casa que está em ruínas”. Colocando logo em prática o pedido do Pai, Francisco reconstruiu três pequenas igrejas abandonadas: a de São Damião, a igrejinha da Porciúncula dedicada à Santa Maria dos Anjos e a de São Pedro. O dinheiro para reerguer os templos foi conseguido com a venda de peças de tecidos que Francisco roubou da loja de seu pai. Muitas vezes Francisco usava suas próprias mãos para erguer a igreja pedra por pedra, como no caso da Igreja de São Damião. Francisco não havia entendido ainda que a Igreja que deveria restaurar não era a de pedra, mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época por diversas heresias e pelo apego de seus líderes às riquezas e ao poder. Outro acontecimento que marcou sua vida, foi um encontro com um leproso. Naquela época, os leprosos eram expulsos da cidade, abandonados por suas famílias e fadados a sobreviver com uma doença sem cura e que julgava-se ser um castigo por pecados cometidos pelo doente. O primeiro impulso de Francisco ao avistar o leproso, foi o de fugir. Ele tinha verdadeira aversão aos leprosos antes de sua conversão. Ao invés de fugir, Francisco se aproximou do doente, dando-lhe esmola e um beijo, reconhecendo-o como um irmão. O que Francisco descobre com esse beijo? Descobre que Cristo não é belo e não se veste com mantos de ouro, mas é pobre e crucificado, como o leproso que ele acabara de beijar. E é esse Cristo que deve ser seguido e imitado. E foi o que Francisco fez desse momento em diante. A partir de então, despiu-se de todos os bens materiais e roupas, vestiu uma túnica e passou a se dedicar integralmente aos pobres e leprosos, como se fosse um deles. Esse momento foi tão importante na transformação de Francisco que, ao final de sua vida, recordava: “Foi assim que o Senhor me concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como eu estivesse em pecado, parecia-me por demais insuportável olhar para os leprosos. Mas o Senhor conduziu-me para o meio deles e eu tive misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, justamente o que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do espírito”. Seu pai, enfurecido com as atitudes do filho e temeroso de perder toda a sua fortuna com as doações e projetos de Francisco, deserdou seu filho perante o Bispo. Diante das acusações do pai, na frente do Bispo, e de todos, Francisco tirou as próprias vestes, e nu, as devolveu ao pai dizendo: "Daqui em diante tenho somente um pai, o pai nosso do cé
|
“Francisco, vai
e reconstrói minha Igreja”.

Foi este Crucifixo que Francisco ouviu dizer, na
pequena e abandonada igreja de São Damião:
Um artista italiano desconhecido o pintou no
século XII num pano colado sobre uma madeira de nogueira.
Ele possui 1,90m
de altura, 1,20m de largura e 12cm
de espessura.
Este é o Crucifixo e o Cristo glorioso que Santa
Clara contemplará durante toda a sua vida, durante todo o tempo em que
permaneceu no Mosteiro de São Damião (1212 - 1253). Por isso, falará tantas
vezes no “Rei da glória”.
Em 1259, após a morte de Santa Clara, quando as
primeiras clarissas deixaram a igreja de São Damião e passaram a morar na
igreja de São Jorge (atual Basílica de Santa Clara), para ficarem junto do
corpo de sua Fundadora, levaram consigo este Crucifixo que ficava sobre o
altar. Abaixo vamos analisar cada pedaço que compõe o Crucifixo de São Damião,
ressaltando os seus elementos mais significativos:A figura central do ícone é o Cristo, não só por seu tamanho, mas
também por ser o Cristo a figura luminosa que domina a cena e transmite luz
para as demais figuras.
Os olhos
de Jesus estão abertos: Ele olha para o mundo que salvou. Ele vive e é
eterno.
A veste de
Jesus é um simples pano sobre o quadril – o que simboliza tanto o Sumo
Sacerdote como a Vítima. O tórax e o
pescoço são muito fortes. Atrás dos braços
esticados do Cristo está seu túmulo
vazio, representado pelo retângulo preto.
Existem 34 figuras no Ícone:
2 imagens de CristoExistem 34 figuras no Ícone:
1 mão do Pai
5 figuras maiores
2 figuras menores
14 anjos
2 pessoas nas mãos de Jesus
1 menino pequeno
6 pessoas ao fundo da Cruz
1 galo.
Há 33 cabeças em torno da cruz, dentro das conchas, e sete ao redor da auréola.

As vestimentas são douradas, símbolo de majestade e vitória.
A estola vermelha é um sinal de sua autoridade e dignidade supremas exercidas no amor.
Anjos lhe dão boas-vindas no Reino dos Céus.
IHS são as três primeiras letras do nome de Jesus em grego. NAZARÉ é o Nazareno.
É o Cristo na glória!!!



O vermelho escuro usado indica intenso amor, enquanto a veste interna na cor purpúrea lembra a Arca da Aliança (Ex 26, 1-4).
A mão esquerda de Maria está no rosto, retratando a aceitação do amor de João, e sua mão direita aponta para João, enquanto seus olhos proclamam a aceitação das palavras de Cristo: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo19, 26).
O sangue goteja em João neste momento. O manto de João é cor de rosa que indica sabedoria eterna, enquanto sua túnica é branca - pureza. Sua posição é entre Jesus e Maria, o discípulo amado por ambos. Ele está olhando para Maria, aceitando as palavras de Jesus: “Eis aí tua mãe” (Jo19, 27).

O centurião segura, na mão esquerda, um pedaço de madeira representado sua participação na construção da sinagoga (Lc 7,1-10). A criança ao lado é o seu filho curado por Jesus. As três cabeças atrás do menino mostram: “e creu, tanto ele, como toda a sua casa” (Jo 19,28-30). Tem três dedos estendidos, símbolo da Trindade, e os outros dois fechados, simbolizando o mistério das duas naturezas de Jesus Cristo (divina e humana). “Este homem era verdadeiramente o filho de Deus” (Mc 15,39).
Em tamanho bem menor encontra-se Longinus, soldado romano que feriu o lado de Jesus com uma lança, e Estefânio, que a tradição diz ofereceu a Jesus uma esponja encharcada com vinagre após Ele ter dito “tenho sede” (Jo 19,28-30).

São Damião era o patrono da igreja que alojou a cruz e São Rufino o patrono de Assis.
Essa parte da pintura está muito danificada e não permite uma adequada identificação.

“Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16)

O
vermelho do amor supera o escuro da morte.
Os gestos de mão indicam fé, a fé dos santos desconhecidos. Seriam Pedro e João junto ao sepulcro vazio?
(Jo 20,3-9). Existe um galo também
pintado neste ícone. A sua inclusão recorda a negação de Pedro, que depois chorou
amargamente. O galo igualmente proclama novo despertar do Cristo ressuscitado.
Ele que é a verdadeira Luz (1Jo 2,8). O formato tradicional da cruz foi
alterado para permitir ao artista a inclusão de todos aqueles que participaram
da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.À direita da cruz está o ladrão bom, chamado tradicionalmente Dimas; à esquerda está o ladrão mau.
| FRANCISCO, COMO O VEJO? |
| MADRE MARIA FRANCISCA |
Dia 04 de outubro é sempre para nós dia de grande festa. É nova oportunidade de olhar para este homem que aos olhos dos seus contemporâneos a principio apresentou-se como um louco, mas que aos poucos deixou transparecer que o que nele estava acontecendo não era senão uma obra de Deus.
Desde aquele dia em que já transformado entrou na Igreja para rezar diante do Crucifixo de São Damião e ouviu a ordem de Jesus para que fosse restaurar sua Igreja em ruínas, Francisco se transformou num vaso aberto onde os céus puderam derramar todas as graças que naquele momento eram necessárias para realizar a vontade do Cristo Crucificado.
Vejo Francisco como um homem todo prontidão para sem demora cumprir o encargo recebido e para isso não mede esforços, apesar de sentir-se muito pequeno, humilde e pecador. Ele tem a certeza de que tudo o que o senhor lhe pede, não é ele que vai cumprir, mas será obra do Senhor. Atribui tudo a Deus quando fala: “ O Senhor me deu, o Senhor me ensinou, o Senhor me conduziu..., etc.”
Ele foi e é até hoje o reformador da Igreja sempre que nós seus seguidores o olhamos com alma de discípulos para aprender com ele a servir o Senhor nada atribuindo a nós mesmos, e sim tudo acolhendo das inspirações do Senhor. Nisto vejo o exemplo da desapropriação e o espírito de servo que deve permear a vida de todos os que querem viver deste modo.
Como Irmã Clarissa, pertencente a esta grande escola do Poverello de Assis e da mãe Santa Clara, também vejo a necessidade de ser este vaso aberto onde Deus pode derramar suas graças a fim de hoje responder aos desafios que não são poucos do mesmo modo como Francisco respondeu.
O chamado de Francisco veio de encontro a uma atmosfera de frieza da fé e da falta reverência ao sagrado que havia naquele tempo. E hoje, será que o chamado de cada Franciscano e Clarissa não é um grito a anunciar que Deus existe e quer ser amado respeitado e obedecido em todos os seus preceitos de amor?
Francisco repete ainda a cada um de seus filhos e filhas: “eu fiz a minha parte, que o senhor vos ensine a fazer a vossa”.
Feliz Festa do Poverello de Assis.
Madre Maria Francisca, OSC Mosteiro de São Damião Porto Alegre - RS E-mail: clarissaspoa@gmail.com FONTE: Site da Provincia da Imaculada (SP) |
Francisco, modelo de paz
A festa de São Francisco, em 4 de outubro, transformou-se em símbolo do esforço da Igreja pela Paz. Todos nos lembramos com gratidão da viagem de Paulo VI às Nações Unidas e do pedido humilde, mas corajoso, do Pontífice, de se transformarem os canhões de guerra em arados para a construção da paz duradoura.
Nos tempos de São Francisco, não havia homem que não andasse armado, e homens armados podem transformar-se facilmente em homens de guerra. Como nos dizia certa vez um mexicano: “Em minha Juventude, carregava-se sempre o revólver no cinto e morriam muitos homens pela violência. Hoje, andamos desarmados e já são poucos os que assim morrem”.
Para conseguir um movimento de paz, São Francisco fundou sua Ordem Terceira, que obrigava a todos os membros a andarem sempre com a expressão “Paz e Bem” sobre os lábios e com o cinto e o ânimo desarmados.
Esse movimento provocou tamanha simpatia entre os homens, que se alastrou por sobre o mundo inteiro, conquistando adeptos entre todas as classes e transformando-se em autêntico fermento da idéia “PAZ”.
No entanto a educação para a paz tinha que partir do exemplo daqueles que podem fazer guerra, das autoridades. E havia o que mudar.
O próprio Bispo de sua terra e a autoridade civil se guerreavam. São Francisco não se acovardou, e com sua simplicidade costumeira foi pedir a ambos que fizessem as pazes. Conseguiu-o, mais por persuasão pessoal, do que por argumentos históricos.
Quando, já moribundo, é transportado para sua terra, Assis, abençoa-a do alto de uma colina, desejando-lhe a paz e oferecendo sua serenidade diante do maior inimigo – a morte – como exemplo a todas as gerações. A morte assim se transformou em irmã, que conduz ao desabrochar total na paz eterna.
Mas antes de morrer, já enviara seus arautos da paz, os Frades Menores, dois a dois, a todos os pontos cardiais do mundo, com a mensagem evangélica da Paz: contínua conversão interior; vida em favor dos outros; renúncia aos bens que podem provocar a guerra, e carinho em favor daqueles que não vivem em paz porque estão marginalizados.
“Deixo-vos a paz, dou-vos minha paz”, havia dito Jesus.
Paz significa, segundo os textos evangélicos, um incentivo para todos aqueles a quem Deus ama. Ter paz interior é olhar para os outros com o respeito e o amor de quem olha para Jesus. Ter paz interior não é outra coisa senão identificar-se a tal ponto com os sofrimentos dos outros “que não haja quem sofra, sem que eu sofra com ele”. Por que não dizê-lo, paz interior significa também ter liberdade de falar a Deus como a um amigo e fugir a tudo que possa empanar esta amizade.
Neste ponto, São Francisco é o grande mestre da paz. A tal ponto assimilou a mensagem de Jesus, que na hora da morte, ele próprio confessou: “Não existe um termo no Evangelho que eu não tenha decorado – isto é, que eu não tenha posto no coração – com os pontos e virgulas”.
A mensagem de paz de São Francisco foi assunto para pincéis e penas. Artistas e escritores celebraram a cena do lobo de Gubbio, o ladrão que não deixava paz à sua cidade.
O lobo que fazia vítimas contínuas na comunidade. São Francisco dirigiu-se a ele, e firmou o contrato de que ele não sofreria fome, caso não maltratasse mais os outros.
Os historiadores estão todos de acordo em dizer que São Francisco criou uma alegoria, e nós hoje teríamos a grande tentação de aplicá-la ao nosso meio. Mas preferimos confiar esta tarefa ao leitor: Como faremos para que o lobo deixe de devorar-nos? Qual é a comida que lhe oferecemos, para que não tenha mais fome nem maldade?
Quando visitamos as Pirâmides do México, o arqueólogo nos explicava: “Reparem naquelas pessoas que sobem; quanto se identificam com o monumento, na medida em que vão atingindo o alto; e como no final são uma coisa só com o monumento e o céu”.
Agora imaginem-se os antigos sacerdotes, que subiam com suas oferendas, e assim identificavam a terra e o céu, numa só visão para todos os crentes. As pirâmides se casam com a natureza e o homem mexicano.
Quando o peregrino percorrer Assis, sentirá apenas falta do homem Francisco, totalmente identificado com a natureza. Talvez com um cordeirinho nos braços, cordeirinho que recebeu em troca do manto, amando a água “pura e casta”, amando a lua, o fogo e o sol, amando, sobretudo, o homem, pobre e desprezado, chamando a tudo e a todos de Irmão, de Irmã.
Como à paisagem mexicana se devolve a paz completa, ao unir as pirâmides com o sacerdote e o céu, assim a Humanidade inteira se reconcilia em São Francisco, com aquilo que é e deve ser.
A Paz significa, em última análise, reconhecer a Deus como Pai e a toda a natureza como irmã. A evocação de São Francisco exige de cada um de nós um gesto e uma súplica de paz.
Por D. Paulo Evaristo Arns
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